Depoimento forte de Ana Maria Saad: "SBT ajudou na liberdade"


Antes quando dava entrevista sobre minha história antiga com a doença Depressão, a qual conheci ainda criança, tinha uma certa preocupação de passar esperança, racionalizava e falava do assunto como se estivesse contando o que aconteceu a uma outra pessoa e não a mim mesma. Por pura insegurança, para parecer para a sociedade que não era louca e que ainda estava no controle, o que era acentuado pelas pessoas que estavam à minha volta e intensificavam “o quanto é importante não parecer doente ou doida para não assustar aqueles possíveis investidores”, porque se não fosse aquilo que o mercado espera de mim: danou-se!

Como se o mercado esperasse algo de mim… Ele nem me conhece! Aliás, prazer Mercado! Sou a suicida sobrevivente, Depressiva que está bem melhor graças as várias terapias que me levam ao auto-conhecimento, as quais me fazem gastar um dinheiro que nem tenho, porque ainda não possuo renda! Prazer Mercado! Falo muito de uma doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde, vai te dar cada vez mais dor de cabeça, porque enquanto a população se preocupa tanto com Câncer e Aids os dados mostram que é a tal dona Depressão que vem causando mais danos, inclusive economicamente falando, já que ela é uma doença incapacitante! E para saber mais dela clique aqui porque esse post na verdade é sobre uma experiência interessante que tive ontem ao dar uma entrevista. Este post é sobre quando as personagens não cabem mais na pele do ator.

Em geral somos ensinados a interpretar diversos papéis na vida que garantam nosso sustento, poder, respeitabilidade, e por causa de nossas preocupações e problemas a gente se perde nesses papéis. Ontem procurei um papel para dar a entrevista de modo “equilibrado” como sempre faço e não achei. Não me contive ao relembrar o inferno que já passei por conta dessa doença somada aos preconceitos enfrentados. Ao cair a ficha de que de fato poderia não estar aqui hoje por pura falta de informação sobre a Depressão meu corpo reagiu e sim, devo ter parecido uma louca, porque chorei e tremi, na frente do repórter e sua equipe, até então desconhecidos.

E depois me senti estranha comigo mesma, como se aquela pedra no sapato que incomoda há tantos anos, sendo seu incômodo tão familiar, tivesse sido retirada. E me lembrei que um “amigo” uma vez disse que os rumos que a Pensamentos Filmados estava tomando eram de losers (perdedores em inglês) e ele tinha razão! Se olhado pelo prisma dos olhos de nossa sociedade guiada por valores superficiais, realmente não há glória alguma em se contar que sofro de Depressão desde criança, que já tentei me matar e que tenho muito medo de ter uma nova crise, e que, com o apoio de meu parceiro Geison Ferreira, fiz uma seção inteira neste site dedicada às doenças invisíveis.

É… não há glamour em se contar isto, ainda mais para uma sociedade que além de ignorar o que de fato é a doença Depressão, ainda tem muito preconceito com relação ao assunto, e prega que devemos sempre estar super bem, alegres e sorrindo. Mas ontem eu saí da condicional e ganhei de vez a liberdade interna de poder ser simplesmente Eu e deixar os papéis apenas para os trabalhos de atriz.

Freedom!

Bjoka

PS: O programa SBT REPORTER especial sobre depressão deve ir ao ar no final de fevereiro.

Por Ana Maria Saad, do blog "Pensamentos Filmados"

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