Entrevista SBTpedia: Solange Boulos

A jovem repórter Solange Boulos está há pouco tempo no SBT, mas o suficiente para já ser uma das principais nas coberturas em São Paulo, especialmente do Jornal do SBT. Após uma passagem por afiliadas da Rede Globo e vários anos na Rede Record, Solange estreou no SBT em março de 2009, na revista Olha Você e desde então segue firme nas coberturas do jornalismo da emissora. Na entrevista, Solange Boulos revela detalhes da carreira, comenta o elogio do colunista Flávio Ricco a sua matéria sobre a Inconfidência Mineira e explica o que de fato aconteceu no episódio polêmico da despedida de Ronaldo Fenômeno, em que teria sido barrada na cobertura. Torcedora do São Paulo, Solange se revela apaixonada por esportes. Quer saber mais? Veja a entrevista na íntegra:

SBTpedia: Como começou seu interesse pelo Jornalismo e quando iniciou na TV?
Solange Boulos: Ainda na adolescência, era apaixonada por esportes, fanática pelo São Paulo Futebol Clube. Meu primo é o ex-técnico de vôlei Ricardo Navajas, e com ele frequentava todas as partidas, via o trabalho de cobertura dos repórteres. Decidi, então, que seria repórter esportiva, como de fato começou a minha carreira na TV, em 2001. Trabalhei com Milton Neves no Debate Bola e Terceiro Tempo, pela Rede Record.

SBTpedia: Você fez parte das equipes do Hoje em Dia, na Record e depois veio para o SBT para ser repórter do Olha Você. Trabalhar em revistas eletrônicas é algo que te atrai?
Solange Boulos: É bom ampliar o leque, conhecer outras linguagens, fazer outros tipos de assuntos. É importante para a formação do jornalista. Mas confesso que fiquei com saudade do hard news, da adrenalina de estar onde as coisas acontecem.


A cachaça foi tema de matéria esta semana no Jornal do SBT, com Solange Boulos no Mercado Municipal de São Paulo (08/09/2011)

SBTpedia: Que perfil precisa ter um profissional para se destacar em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e conseguir oportunidades em grandes empresas como o SBT?
Solange Boulos: Ágil, curioso e versátil. A objetividade é fundamental para direcionar a sua reportagem na rua e priorizar o que é relevante, afinal, como dizia um ex-chefe meu, matéria boa é matéria que vai ao ar, e pra isso ela tem que chegar a tempo do jornal. A curiosidade é o que instiga o jornalista a fuçar, a duvidar, a ir além da história que todos já sabem. É quando normalmente se conseguem os melhores detalhes, o diferencial. Na briga pela audiência das grandes emissoras, esse diferencial é questão de sobrevivência. A versatilidade é inerente à profissão, para isso, é importantíssimo estar sempre bem informada para conduzir bem a matéria seja qual for o assunto. Nunca sabemos qual será a pauta do dia: se faremos o clássico do futebol, a crise financeira ou os escândalos dos ministérios, se explicaremos sobre uma nova descoberta da medicina... é isso que fascina no jornalismo: falar sobre tudo, todos os dias.


SBTpedia: Você acha que a TV criou um estereótipo de repórter com o padrão de beleza das modelos: magra, bonita e cabelos lisos?
Solange Boulos: Não sejamos hipócritas em dizer que uma boa aparência física não é importante quando falamos em vídeo. Mas uma boa apresentação, não necessariamente este ou aquele tipo de cabelo. O sobrepeso de fato pode ser um problema, isso porque o vídeo engorda. Mas não é determinante para uma carreira bem sucedida.


A repórter em matéria para o quadro “A Grande Ideia” do Jornal do SBT (06/09/2011)

SBTpedia: Você já produziu reportagem para o quadro “A grande Ideia”, no Jornal do SBT – Noite, que retrata casos de pessoas que se derem bem financeiramente com criatividade e persistência. Como você avalia a importância desse tipo de atração para o telespectador?
Solange Boulos: Nosso trabalho é produzir reportagens que aproximem o telespectador, que fale de assuntos com os quais ele se identifique. Quem não deseja ter sucesso na carreira, realizar sonhos e prosperar financeiramente? O Big Idea mostra como muitas pessoas conseguiram isso. E o telespectador se enxerga nessas histórias.

SBTpedia: Você trabalhou com a Simone Queiroz e a Cláudia Ramos no Olha Você e agora elas também estão no Departamento de Jornalismo da emissora, como repórteres, a primeira em São Paulo e a segunda no Rio. É possível criar laços de amizade entre profissionais do jornalismo, mesmo com a correria do dia-a-dia?
Solange Boulos: Absolutamente!! Já fiz ótimos amigos no jornalismo, em vários véiculos. Inclusive a Simone e a Cláudia. Hoje tenho mais contato com a Simone por ela estar comigo em São Paulo. Em grandes coberturas, sempre encontramos boa parte desses colegas, trocamos figurinhas, inclusive sobre mercado de trabalho. Algumas ex-colegas frequentam minha casa, como a Helayne Cortez, por exemplo. Passou aqui pelo SBT e hoje está no Hoje em Dia, na Record, trabalhando com outras amigas e ex-colegas também: Rosana Cardim, Samara Bastos... a Karina Pachiega, hoje na Globo SP, também é amiga pessoal. Trabalhamos juntas numa afiliada da Globo há seis, sete anos.


Matéria sobre a Inconfidência Mineira para o Jornal do SBT (22/04/2011)

SBTpedia: Recentemente, o colunista de TV, Flávio Ricco, classificou sua matéria no Jornal do SBT, a respeito da Inconfidência Mineira, como “muito bem produzida e finalizada, deixando todos com vontade de ver de novo”. O que você pode destacar dessa reportagem?
Solange Boulos: Esta matéria é um exemplo típico do que falei sobre buscar um diferencial. Enquanto todos mostram a história da Inconfidência que está nos livros, nós fizemos com base no depoimento de um historiador que contesta essa versão. Mostramos o lado polêmico, questionamos, buscamos mostrar o que serviu de fundamento para essa versão do historiador. Foi aquela produção para fazer com que o telespectador, ao final, se pergunte: será?? A produção da redação e a edição também foram brilhantes, o que também é fundamental em televisão: trabalho de equipe.

SBTpedia: Em junho deste ano foi noticiado que você, um produtor, um câmera e seu assistente foram impedidos de cobrir a despedida de Ronaldo Fenômeno. Qual foi a sua reação naquele momento e o que acha da questão da exclusividade nas coberturas do futebol?
Solange Boulos: Gostaria de esclarecer o que de fato ocorreu nesse dia, porque muitos veículos noticiaram isso de maneira incorreta e distorcida. Tivemos, sim, problemas com a coordenação da CBF, que nos repreendeu verbalmente por termos feito imagens do Ronaldo quando ele chegava ao estádio. Fomos ameaçados de não poder cobrir a coletiva pós jogo, em que seria anunciada a escalação para a Copa América. Mas foi só. Essa negociação aconteceu na sala onde estava toda a imprensa. Não fomos isolados, como foi divulgado, não perdemos o acesso ao gramado (porque isso quem tinha era só a Globo mesmo), não tinha nem produtor comigo. Quanto à exclusividade, acho um monopólio em que quem perde é o telespectador, privado do direito de escolher onde quer assistir ao esporte mais popular do país.


Solange Boulos mostra a “moda das ruas” no SBT Brasil, em junho deste ano

SBTpedia: Atualmente, o SBT Brasil segue uma linha mais leve, com matérias de comportamento e entretenimento. Quais são os desafios de fazer uma reportagem de forma atrativa e dinâmica para o telespectador?
Solange Boulos: É um exercício diário de criatividade. Alguns assuntos permitem e até induzem ao bom humor, mas outros exigem bom senso, afinal, ainda fazemos um produto jornalístico. O segredo é saber enxergar quais aspectos daquela pauta podem ganhar desdobramentos divertidos, que rendam boas imagens ou que remetam à personagens e histórias conhecidas e queridas do grande público. Mas com conteúdo. Como você disse, são desafios.

SBTpedia: E para o futuro, o que você ainda deseja dessa profissão?
Solange Boulos: Apaixonada por esportes como sou, quero cobrir a Copa do Mundo e as Olimpíadas que vêm por aí.

Solange Boulos por Solange Boulos:
  • A primeira matéria na TV: Sobre um jogo do Corinthians (fazer o que?) no Pacaembu, pela Record.
  • A primeira matéria para o SBT: Xii, não lembro!
  • Uma matéria inesquecível: Sobre prostituição. Acompanhei a rotina das garotas nas ruas, e também nas casas de luxo, me fazendo passar por uma delas, com câmera escondida e tudo.
  • Uma notícia que não gostaria de ter dado: Infelizmente são várias... mas uma reportagem que me marcou de forma negativa foi sobre abuso infantil. Nunca vou esquecer dos depoimentos que ouvi de crianças, bem pequenas, sobre as torturas e a violência que sofreram, muitas, dos próprios pais.
  • Um(a) jornalista que te inspira: Pedro Bassan. Que texto incrível!
  • Um sonho jornalístico: Cobrir o que queremos e achamos correto. Não o que, às vezes, "devemos" cobrir.
  • O que te irrita como jornalista: Os aventureiros na profissão.
  • O que te motiva como jornalista: Denunciar e fazer valer o direito à informação.
  • Defina a repórter Solange Boulos: Essa eu deixo pra vocês! Beijos.
A entrevista foi realizada e produzida por José Eustáquio Júnior (@juniorpitangui) e Pedro Nascimento (@pedromnasciment). Nossos agradecimentos à repórter pela entrevista concedida.

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