Cartas e Cartazes nº 07: SBT - Todo telespectador tem direito a controle remoto (14/05/1999)

Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Vocês já devem ter ouvido falar da história do controle remoto em sua chegada ao Brasil. Reza a lenda que a Rede Globo, líder absoluta de audiência, tentou de todas as formas vetar a chegada da inovação tecnológica ao País. O motivo? Claro e evidente: com o controle remoto, o telespectador, que antes deixava por costume na Globo e não trocava de canal por preguiça, teria agora um aliado muito forte contra o comodismo.

E então chegamos a esse anúncio que tem tudo a ver com a história contada acima. Nele, o SBT parodia a Declaração Universal dos Direitos do Homem chamando de Declaração Universal dos Direitos do Telespectador, cujo primeiro artigo seria: “Todo telespectador tem direito a um controle remoto”. Bingo! O controle remoto foi peça-chave para o SBT se oferecer como alternativo à Rede Globo. Quantas e quantas vezes a emissora não foi premiada com grande audiência justamente por apostar em momentos de migração da Globo?

No anúncio, o SBT destaca o poder do controle remoto e mostra como a concorrência evoluiu frente à Rede Globo. Enquanto antigamente a Globo tinha mais audiência que todas as emissoras juntas, agora o SBT fazia frente à Rede Globo, chegando até mesmo a ganhar da emissora carioca, especialmente aos domingos. O recém criado Ô Coitado, o tradicional A Praça é Nossa, filmes, Silvio Santos (com Topa Tudo por Dinheiro, principalmente) e Programa do Ratinho eram os destaques dessa mudança de hábito do público.

Percebe-se também nesse anúncio uma cutucada frontal à Rede Globo: “(...) [o telespectador] não é mais obrigado a suportar o que não gosta”. O anúncio diz ainda que esse mesmo telespectador, ao zapear para o SBT está reconhecendo o esforço da emissora em fazer uma programação com a cara do Brasil, tema da campanha de marketing da época.

O anúncio publicado hoje foi inspirado naquela época no artigo publicado na Gazeta Mercantil, de autoria de Gabriel Priolli, em 23 de abril de 1999. Trecho do artigo do jornalista é reproduzido no anúncio, a saber: “Antes, havia os programas da Globo e os outros, o padrão de qualidade e improvisação de sempre, o bom e o mau na televisão. Hoje as distâncias são muito menores e mesmo no gênero de teledramaturgia e dos shows, que exigem muitos recursos e um know-how apurado, os concorrentes já conseguem produtos similares e, eventualmente, superiores aos globais”.

Verifica-se que, ainda no final da década de 90, existia muita badalação ao padrão Rede Globo de se fazer televisão. Outras emissoras, quaisquer que sejam, ainda eram muito discriminadas, seja pela qualidade de suas atrações ou capacidade técnica dos programas. Hoje em dia, apesar de ainda haver muita resistência por produtos fora da Globo, o preconceito é bem menor. Em alguns casos, reconhecer “vida” fora da Globo virou até virtude de muitos colunistas de TV.

O que achou do anúncio de hoje? Gostou? Comente e envie também o seu anúncio antigo do SBT através do contato@sbtpedia.com.br. Vamos fazer o maior levantamento de anúncios da história do SBT.

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