Cartas e Cartazes nº 13: Em negociação meteórica, SBT contrata Sérgio Chapelin da Globo (08/05/1983)


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Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Você que é mais novo já deve ter se acostumado a ver Sérgio Chapelin nas sextas-feiras no Globo Repórter. Você que tem uma idade mais avançada, deve se recordar do mesmo no comando do Jornal Nacional, também da Rede Globo. Mas quem é capaz de lembrar dele nas noites de terça no SBT? Sim, Chapelin já foi do SBT e talvez possa ser considerada a primeira contratação de impacto da emissora na sua história.

O programa Show sem Limite era uma das grandes audiências do SBT. Sua estreia se deu em 16 de novembro de 1981, sob o comando de Jota Silvestre, consagrado locutor e apresentador de rádio e TV. Quadros como “Esta é Sua Vida” e “Você estava Lá” eram os pontos referenciais da atração. Só que em 1983 tudo mudou. Jota Silvestre saiu brigado do SBT e foi na Globo que buscou o substituto: sim, ele, Sérgio Chapelin, então apresentador do Jornal Nacional.

A notícia causou enorme impacto no meio televisivo. E também no meio da imprensa. Repórteres e fotógrafos se aglomeravam na porta da Globo para arrancar uma palavra de Chapelin. Até então era impensável alguém da Rede Globo migrar para outra emissora, ainda mais quando se tratava de um apresentador de uma das maiores audiências da emissora carioca.

Com Cr$ 5 milhões por mês (5 vezes mais do que ganhava na Globo), Chapelin chegava empolgado no SBT. Dizia nas mais diversas entrevistas que agora o público iria conhecê-lo de corpo inteiro e não mais da forma sóbria dos telejornais, apostando agora na linha de variedades. Coube a Luciano Callegari, diretor do SBT, intermediar toda a negociação para sua contratação.


Trechos de Sérgio Chapelin, no SBT, entrevistando Mara e Gugu Liberato

No dia 13 de abril de 1983 foi anunciada oficialmente a contratação de Sérgio Chapelin pelo SBT. E a tarefa era bater de frente com Jota Silvestre, que havia migrado para a TV Bandeirantes. Em suma, Chapelin tinha a tarefa de derrotar Jota Silvestre, ex-apresentador do programa que assumira. Para tanto, o Show sem Limite mudou até de dia: saiu das segundas para entrar às terças-feiras.

O SBT, claro, não poderia deixar de divulgar na imprensa a estreia que era considerada a mais importante do ano de 1983. Como o SBT ainda não contratava agências para fazer sua publicidade na época, coube ao próprio Departamento de Criação da emissora a elaboração deste anúncio que apresentamos hoje. Nele, é destaca a estreia de Chapelin no SBT e, no fundo, uma bela cutucada no antigo apresentador Jota Silvestre: “mais bonito, mais jovem, mais dinâmico”.

Na Band, Jota Silvestre se viu a obrigado a mudar o nome da atração para “Programa J. Silvestre”. O SBT continuaria com o já tradicional “Show sem Limite”. A mudança fez Jota Silvestre conceder a sua primeira coletiva da carreira e atacando frontalmente o SBT: “Fui roubado. Depois de muitos outros acontecimentos desagradáveis, descobri de repente que já não era nem o dono do meu próprio programa”.

Chegado o dia da estreia, Chapelin protagonizou a primeira grande e histórica vitória do SBT sobre a Globo. Pela primeira, um programa do início ao fim, derrotava a absolutamente líder Rede Globo. As vítimas foram o Viva a Gordo, de Jô Soares e o seriado Casal 20. Em determinados momentos, a audiência indicava quase o dobro para Chapelin no SBT. O público realmente quis ver o ex-âncora se aventurando fora do mundo global e, principalmente, se arriscando com um programa de auditório. Vocês devem estar se perguntando: e o desempenho do Jota Silvestre na Band? Ínfimo, imperceptível. Vale ressaltar que uma semana antes de Chapelin estrear, Jota Silvestre havia vencido o SBT.

O ano de 1983 foi passando, a Globo foi boicotando inserções comerciais que tinham a voz de Sérgio Chapelin, novos quadros no Show sem Limite foram estreando (“Sucesso, Aqui Estou Eu” e “O Dia Em que você Nasceu”, por exemplo), mas chegado 8 de maio de 1984, o casamento entre SBT e Chapelin se desfez, sendo que o mesmo decidiu retornar à Rede Globo. Nem mesmo uma proposta salarial 3 vezes maior do que a anterior (que para a imprensa, na época, era tida como irrecusável), convenceu-lhe ficar. Nesse mesmo dia, data do término do contrato com o SBT, Murilo Nery já assumia o comando Show sem Limite. Chapelin chegava à conclusão que não tinha a “pegada” de apresentador de auditório e sua praia era mesmo o jornalismo.

Agradecimento especial de hoje vai para o Edgar Camargo (@_edgarc), nosso leitor e criador do logotipo para o quadro "Cartas e Cartazes", o qual estreamos hoje. O cara manda muito bem, não é verdade?

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