Cartas e Cartazes nº 38: SBT estreia “Destino”, a sua primeira novela na história (05/04/1982)



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Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Quem assiste às novelas do SBT, pode se perguntar: qual foi a primeira a ser exibida pelo SBT? Curiosamente, não foi uma trama internacional. Quer dizer, foi e não foi. No mesmo dia que estreava a primeira novela produzida pelo SBT, também estreava o fenômeno mexicano “Os Ricos Também Choram”. Como a novela brasileira estreou antes, às 19 horas, é considerada o pontapé inicial nas novelas exibidas pelo SBT. Mas vocês sabem qual é essa novela? De onde ela surgiu? Veja agora no SBTpedia, a trajetória de “Destino”, a primeira novela produzida pelo SBT.

Destino é a primeira novela brasileira do SBT, contudo, como não podia deixar de ser, tinha texto mexicano. Tratava-se, portanto, de uma adaptação de Raymundo Lopes (autor de Redenção, da TV Excelsior) e Crayton Sarzy para um original de Marissa Garrido, chamado "Mundos Opuestos", exibida em 1976 no México.

Waldemar de Moraes, à época supervisor do recém-criado departamento de novelas, dizia que Marissa Garrido era a “Janete Clair do México”. A princípio, a ideia era lançar a trama na faixa das 20 horas e, com o passar do tempo, ter outras, também adaptações, nos horário das 18h30 e 19 horas. Na verdade, isso não aconteceu e o horário que era pra ser Destino (19h45), passou a ser ocupado pela estreia de Os Ricos Também Choram, novela marcante e que posteriormente ganharia remake nacional (com uma história bastante reformulada, é verdade) do próprio SBT. Contudo, a trama foi exibida inédita às 19 horas, com reprise às 20h15. Sim, havia “Destino” às 19h e depois às 20h15, logo após Os Ricos também Choram.

Havia, inclusive, a expectativa de lançar uma novela baseada na vida de um santo, para entrar no decorrer da exibição de “Destino”, o que não aconteceu. Possivelmente seria uma versão polêmica sobre São Francisco Xavier, obra também de Marissa Garrido, que inclusive não passou pela censura do México. Na verdade, na época, até a TV Cultura se aventurava em produções dramatúrgicas, e, como hoje, o SBT sofria bastante para encontrar profissionais disponíveis no mercado nessa área. Na época, Waldemar de Moraes já dizia: “Não se pode arriscar em novela. Novela não é como um programa que pode ser modificado de uma hora para a outra”. Por isso, o SBT procurou um autor já experiente (Raymundo Lopes) para fazer essa primeira adaptação.

Tendo iniciada as gravações em fevereiro de 1982, Destino custaria aos cofres da TVS/SBT, o valor mensal de 10 milhões de cruzeiros. Como era uma história que girava de 1958 a 1982, a produção demandava gasto elevado (para os padrões da emissora) com figurinos e cenários. A direção cabia a David Grimberg (que até “Revelação” batia ponto no SBT) e Renato Petrauskas (diretor de programas da TVS na época). A sonoplastia cabia a José Moura, com passagens por Tupi, Bandeirantes e Record. No total, iriam ser apenas 55 capítulos, sendo que essas novelas curtas ficariam marcantes no SBT durante toda a primeira metade da década de 80 do SBT.

O teste para o elenco foi realizado com mais de 1,5 mil pessoas. A equipe buscava, de fato, especialmente atores de teatro e jovens para compor elenco. Também foi do teatro que saíram para “Destino” os nomes de Amilton Monteiro (que viraria roteirista de novelas do SBT em poucos anos) e Tânia Regiana. Nomes mais experientes também foram buscados, como os de Flávio Galvão, Ana Rosa (que se destacou bastante na TV Tupi) e Ruthinéia de Morais. Ana Rosa, protagonista da trama ao lado de Flávio Galvão, substituiu de última hora a atriz Lia de Aguiar, que ficaria com o papel. Outro destaque do elenco é Martha Volpiani, que além ser figurinha fácil das novelas do SBT nos anos 80, responde até hoje pela dublagem da Dona Florinda e Pópis do seriado e desenho do Chaves.

No anúncio acima, fica claro a aposta no elenco, especialmente no casal principal. Reparem nas frases, carregadas de sentimentalismo e frases feitas. Era o estilo Marissa Garrido de escrever, nem tinha como mudar.

Aliás, Marissa Garrido, dias antes da estreia, veio ao Brasil e fez uma visita aos estúdios de gravações da novela, no SBT, e elogiou bastante a produção: “Fui aos estúdios ver as gravações e achei tudo muito bem feito. A produção é estupenda e a cenografia tem muita classe. Destino é uma novela curta e isso é bom para um teste com o público brasileiro. Se der certo, a TVS já está interessada em comprar mais duas novelas minhas, que poderão ser Leona e Prisioneira”.

O SBT não só aproveitaria essas obras, como no total faria 11 remakes de obras de Marisa Garrido até Vida Roubada (1983/1984). Ou seja, da criação do setor de dramaturgia até o fim de Vida Roubada, o SBT trabalhou somente com obras de Marisa Garrido, à exceção de “O Anjo Maldito”. Marissa Garrido voltaria ganhar notoriedade no SBT, com adaptações de seus textos para o Teleteatro (1998).

Ver um texto mexicano no ar, muito embora com adaptação, direção e atores nacionais, causou algumas reações nacionalistas por parte de alguns telespectador. No Jornal do Brasil, houve quem enviasse carta e bradasse: “Silvio Santos acha que o nosso povo é idiota, débil mental. Devia haver punição para esse tipo de gente. É de se lamentar que o mercado de trabalho leve tantos bons profissionais a participarem de uma imbecilidade dessas. Recado para esses: Nós acreditamos em vocês, apesar da novela”.

“Destino” havia sido exibida no México com sucesso e a TVS apostava muito também nessa adaptação no Brasil, com expectativa de 15 a 20 pontos no IBOPE. Não deu. O sucesso maior mesmo foi a “atração seguinte”, a mexicana “Os Ricos Também Choram”. Apesar disso, não tira o brilho de ter sido o pontapé inicial do setor de dramaturgia do SBT, ainda muito incipiente, mas revelando e trazendo a cartaz gente sempre talentosa para o mundo artístico.

Agradecemos ao companheiro de SBTpedia, Pedro Nascimento, que me passou esse anúncio raríssimo para que eu pudesse falar sobre essa novela marcante na história do SBT.

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