Cartas e Cartazes nº 50: Globo demite jornalista por elogiar TJ Brasil e SBT convida jornalista para trabalhar na emissora (29/11/1992)




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Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Nos último dias estive pensando em um anúncio perfeito para comemorar as 50 edições do Cartas e Cartazes. De preferência um que tivesse polêmica e ironia juntos, afinal isso é uma das maiores marcas da história publicitária do SBT. Escolhi um que condiz com esses predicados. Espero que aprovem o anúncio.

Esse é um anúncio especial porque ele foi motivado única e exclusivamente por um ato da Rede Globo contra uma contratada da emissora carioca. Mas aí você pensa o que um fato desses pode originar um anúncio do SBT? É o que você confere a partir de agora.

Tudo começou com uma despretensiosa matéria do jornal O Estado de São Paulo no dia 1º de novembro de 1992, onde a jornalista Danuza Leão foi convidada a opinar sobre suas mais diversas preferências. Nesta entrevista, Danuza revela gostar muito do TJ Brasil e seu apresentador Boris Casoy, pelo seu estilo de âncora televisivo, que transmite credibilidade. Na mesma entrevista, revela que sua apresentadora favorita era Lilian Witte Fibe (também do SBT) e ainda disse que uma das atrações que a faziam ir para a frente da TV era o programa Roletrando, de Silvio Santos. “Fico fissurada para adivinhar as palavras e isso dá um relax que eu esqueço de tudo”, contou. Em suma, mais e mais SBT na vida de Danuza.

Isso foi dia 1º. No dia 4, três dias depois da entrevista, portanto, Danuza Leão, que era consultora de estilo da teledramaturgia da Rede Globo desde 1986, foi demitida sem a Globo explicar o motivo para tal medida. Foi um susto dentro da emissora e, claro, para a jornalista que não entendia absolutamente nada. Foi através dos corredores do canal que descobriu que a afirmação dela na entrevista que o TJ Brasil e Boris eram os melhores havia pegado muito mal lá dentro.

O jornal “O Estado de São Paulo”, no qual Danuza deu a entrevista e também trabalhava como colunista, deu ampla repercussão ao caso no dia 15 de novembro. Acompanhada da matéria narrando a demissão “misteriosa”, vem um artigo sensacional da jornalista denominado “Lição àqueles que pertencem à Globo”. O artigo inteiro é épico, mas uma parte merece ser transcrita aqui: “(...) Em nome do nosso antigo relacionamento, quero fazer uma sugestão. Nos contratos de trabalho, poderia/deveria haver uma cláusula em negrito: Fica proibido aos funcionários gostar de qualquer programa de qualquer outra emissora. Se isso acontecer, sejam extremamente cuidadosos e discretos para que ninguém, jamais, saiba disso, sob pena etc”. Vocês podem conferir o artigo completo logo abaixo:


Curiosamente, a Globo adotou dois pesos e duas medidas. No mesmo 1º de novembro e no mesmo caderno “Telejornal” do Estadão, havia uma entrevista dos integrantes do Casseta e Planeta Urgente!. E nela, não só os integrantes falavam bem de produtos do SBT como bateram – e forte – em contratado da emissora carioca (Chico Anysio). Marcelo Madureira disparou: “O que sobra de talento no Chico, falta em caráter”. Bussunda se revelou fã de Ronald Golias, enquanto Hélio de la Peña com relação a Carlos Alberto de Nóbrega, dono da “Praça”. Já no que diz respeito ao o que vê na TV, Bussunda elogiou Jô Soares e todo o jornalismo do SBT. De la Peña, por sua vez, elogiava Hebe e “sua ousadia maior que da Madonna”. Talvez pelo tom sarcástico que marcavam os atores e personagens do “Casseta”, a entrevista tenha passado de liso. Ou pelo fato que a Globo não poderia se dar ao luxo de demitir quem estava de frente ao vídeo e preferir dar o “exemplo”, através de alguém por trás das câmeras.

E o SBT soube se meter muito bem no caso, com um anúncio não menos épico. Aproveitando-se das preferências “sbtísticas” de Danuza, sobretudo do TJ Brasil, que teria motivado a demissão, fizeram um anúncio nada mais nada menos que convidando a mesma a trabalhar na emissora. No corpo do anúncio, trechos que repercutiam a opinião de Danuza e no fim a frase: “Aqui você vai poder elogiar todos os que merecem. Inclusive a Globo”.

Claramente não era um anúncio sério, mas o SBT tinha clara intenção de se aproveitar e divulgar o TJ Brasil com toda essa polêmica. Na verdade, o SBT nem precisou se mexer. A própria Globo tratou de cuidar disso muito bem. Boris Casoy, diante desse acontecimento, certamente soltaria um sonoro: “isso é uma vergonha”.

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