Cartas e Cartazes nº 56: Chiquititas estreia no SBT com a difícil missão de substituir Maria do Bairro (28/07/1997)




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Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Nesta segunda, dia 15 de julho, o SBT estreia Chiquititas, grande aposta da emissora para segurar os números do sucesso do remake de Carrossel. Como todos sabem, não se trata da primeira versão de Chiquititas produzida com atores brasileiros. A versão que foi ao ar de 1997 a 2001, no SBT, apesar de gravada na Argentina, também era com atores brasileiros contratados pela emissora de Silvio Santos. E coube a ela, na época, o grande desafio de substituir também uma trama de grande audiência, que foi a mexicana Maria do Bairro. É essa história da estreia da primeira versão de Chiquititas, no SBT, que vamos nos debruçar a partir de agora. 
 
 
Chiquititas fez parte da segunda série de estreias que Silvio Santos promoveu na grade do SBT em 1997. A primeira foi promovida em abril e teve como destaques a novela Os Ossos do Barão, o infantil Disney Club e o popular Alô Christina. Já em julho, vieram a novela Chiquititas, o talk-show popular Márcia, o Concurso de Paródias de Moacyr Franco e a sessão de filmes Tela de Sucessos. Além disso, o Aqui Agora voltava a ser exibido às 18 horas, em edição curta de 30 minutos sucedido pelo TJ Brasil, também com 30 minutos.

Como Chiquititas chegava com a missão de substituir Maria do Bairro, a tensão era grande no SBT. A audiência conquistada por Thalia na novela mexicana era considerada crucial para que todo o horário nobre do SBT rendesse, especialmente sabendo que Os Ossos do Barão não havia “decolado” em audiência.

A grande tacada, porém, do SBT foi municiar o horário de Chiquititas com o mesmo público da novela. Com isso, o SBT colocou o Disney Club às 19 horas e Chiquititas em seguida. Disney Club era considerada, até então, a estreia mais bem sucedida de 1997 no SBT e o fato de ter um público infantil muito forte era considerado uma quase garantia de transmitir o sucesso para Chiquititas. 
 
 
Quando estava prestes a estrear no Brasil, Chiquititas já era um sucesso em 16 países, inclusive, claro, na Argentina, onde a novela foi criada e produzida pela rede Telefe. Pelo fato do SBT ter no ar Os Ossos do Barão e ter pisado no freio na teledramaturgia após arriscar, sem grande êxito, em 1996, estrear 3 novelas ao mesmo tempo (mesmo com produções independentes entre elas), a ideia de gravar em Buenos Aires a versão brasileira de Chiquititas foi muito bem recebida pela direção do SBT, afinal já se recebia tudo pronto da TV argentina, ao custo médio de 45 mil dólares por capítulo. Aliás, vale ressaltar, a versão argentina de Chiquititas chegou ao Brasil primeiro que a própria versão brasileira. Tudo através do canal mexicano ZAZ, que na época fazia parte de determinados pacotes da TV fechada no Brasil.

Assustado com o sucesso de Maria do Bairro que terminou com 23 pontos de média x 31 da Globo, a emissora carioca se armou e preparou uma verdadeira enxurrada de chamadas do Jornal Nacional para aquela segunda de estreia, dia 28 de julho de 1997. Além de chamadas, uma série de reportagens especial foi preparada para ajudar no combate ao fator Chiquititas.

Chegado o dia da estreia, o SBT começou bem o horário nobre com o Aqui Agora (sob o comando de Ney Gonçalves Dias) mantendo o IBOPE na casa de 9/10 pontos, o TJ Brasil terminou com 9 e aí entrou o “fenômeno Disney Club”. De 9 às 19 horas ele levou a audiência no final para 19! Aí veio Chiquititas, precisamente às 20h04, e cravou 18 pontos de média e 21 de pico, um resultado excepcional para a novela. O Jornal Nacional foi bem, com 44 pontos, mas o perigo de uma possível rejeição a Chiquititas já estava descartado. Ainda mais com o suporte do saudoso programa e desenhos da Disney antecedendo.
 
 
Surgia então um dos maiores fenômenos infantis da TV brasileira. Fenômeno não só de audiência, que sustentou a produção por vários anos no ar, mas também na área de licenciamento de produtos, algo muito semelhante ao que acontece atualmente com Carrossel. E pense: sem pirataria de produtos (nula à época, praticamente), CD’s vendiam como água. Somente de agosto de 1997 a agosto de 1998, ou seja com 1 ano e exibição, foram 2 milhões de exemplares vendidos. Até para o exterior a novela foi vendida, como para Portugal, onde foi exibida pela RTP. Os dividendos obtidos da co-produção SBT/Telefe eram divididos em partes iguais. A novela também foi responsável por lançar diversos atores e atrizes, hoje consagrados, como Fernanda Souza, Carla Diaz, Débora Falabella, Kayky Britto, Sthefany Britto, Bruno Gagliasso, Jônatas Faro, Paulo Nigro...

Acima, a campanha que o SBT publicou nos principais jornais do País para anunciar a estreia de Chiquititas no SBT. Era uma campanha simples, mas com uma mensagem que tinha tudo a ver com a trama: “Adote essa novela” e um cesto (tradicional símbolo de criança abandonada) colocada em frente à TV, lembrando assim um orfanato, cenário principal da novela. Mas o mais interessante desse anúncio são as letrinhas pequenas lá embaixo, especialmente o recado final: “De segunda a sábado, acompanhe Chiquititas. Mas cuidado: as crianças da casa vão querer tirar os adultos da sala para assistir a essa novela”. Repare como faz uma linha oposta à divulgação da estreia de Carrossel, em 2012. Enquanto Chiquititas em 1997 apostava na linha “crianças vão tirar os adultos da sala”, Carrossel bradava durante as chamadas que seria a novela que reuniria a família brasileira. Diferenças à parte, tanto Carrossel quanto Chiquititas estrearam (ou no caso de Chiquititas, vai estrear) no mesmo mês que suas versões de 1991 (maio) e 1997 (julho). Que isso seja um bom presságio. Oxalá!

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