Cartas e Cartazes nº 66: SBT exibe Prêmio Sharp com polêmica com Cazuza e homenagem a Lombardi (04/08/1989)




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Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)


Se estivesse vivo, Lombardi completaria amanhã 73 anos de idade. Ao longo das décadas que esteve ao lado de Silvio Santos, conseguiu marcar gerações e gerações com sua voz marcante, sempre contracenando com o patrão no mais absoluto anonimato.

Como não lembrar dos merchans no Show de Calouros, da locução dos prêmios e do caixinha obrigado no Tentação, dos números da Telesena de “hora em hora” ou das aberturas dos programas, como no Qual é a Música?. A participação, no meio do programa, sempre vinha de uma deixa de Silvio Santos. As mais comuns eram “É com você Lombardi!” e “Qual é o prêmio Lombardi?”. Essa última, inclusive, imortalizada em 2001, no samba-enredo da Tradição, escola de samba do Rio de Janeiro que homenageou Silvio Santos na época.

Mas você vai ver que essa relação Silvio Santos / Lombardi não parou por aí. Ela não só era um sucesso na TV, mas também ganhou as páginas dos jornais em 1989, com um anúncio bastante criativa lançado pela emissora para divulgar a transmissão do 2º Prêmio Sharp de Música.

O Prêmio Sharp aconteceu, de fato, em 25 de abril de 1989, para premiar os melhores do ano de 1988. A cerimônia foi realizada no salão Golden Roon, do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez o evento ganhava “nuances de Oscar”, tendo os vencedores anunciados no próprio evento e não mais com antecedência. Portanto, 2 ou 3 pessoas concorriam em cada uma das 8 categorias (infantil, pop/rock, regional, canção popular, samba, MPB, clássico e instrumental), selecionados por um júri de 20 pessoas.

 Chegada dos convidados ao Copacabana Palace, para o 2º Prêmio Sharp

O grande destaque da noite de premiação foi a categoria de pop/rock. No de melhor música, nada mais nada menos que 3 músicas de Cazuza: Brasil (interpretada por Gal Costa), Faz Parte do Meu Show e Ideologia. Ganhou “Brasil”, que também levaria o prêmio especial de “música do ano” em todos os gêneros. No de melhor disco, ganhou o álbum “Ideologia”, de Cazuza. Só não foi a consagração completa, porque Cazuza perdeu para Ed Motta na categoria melhor cantor.

Cazuza, porém, já não era o mesmo que embalava multidões pelo seu jeito inquieto. Já debilitado de saúde  e logo após uma transfusão de sangue, por causa do tratamento contra a AIDS, chegou ao palco de cadeira de rodas, muito magro e usando um turbante na cabeça. Os artistas presentes assinaram um manifesto preparado por Wally Salomão, Antônio Cícero, Nelson Motta e Ronaldo Bastos contra a Revista Veja, por causa de uma reportagem expondo a doença do cantor e, especialmente, a capa em tom fúnebre. Quando leram o manifesto no evento, o mesmo foi bastante aplaudido. Cazuza saiu como verdadeiro mito do evento, após aclamado pelo público.

 Polêmica capa da Veja da semana do Prêmio Sharp de Música rendeu manifesto contrário à reportagem, lido e aclamado por artistas presentes ao evento

Os apresentadores / mestres de cerimônias do evento foram Chico Anysio e Marília Pêra. O primeiro nome representava muito, especialmente por ser 1989. Era justamente o ano em que Chico ficou mais próximo de deixar a Globo e seguir para o SBT, tendo inclusive se reunido com Silvio Santos em sua casa no Morumbi. A contratação, porém, apesar de iminente e contar com total apoio do diretor artístico da época (Carlos Alberto de Nóbrega), não aconteceu.

Além das premiações aos cantores, houve também apresentações musicais de Marisa Monte, Alcione, Zizi Possi, Elizeth Cardoso, Emílio Santiago, Joana, todos juntos em homenagem a Dorival Caymmi. Marília Pêra também cantou, com direito a um clássico de Carmen Miranda: “O Que é que a baiana tem?”

Apesar de realizado em abril, o evento só foi transmitido pelo SBT em 5 de agosto de 1989, portanto, mais de 3 meses depois. Foi exibido precisamente às 20h30, logo após o TJ Brasil, com duração de uma hora.

O criador do Prêmio Sharp, José Maurício Machline, também mereceu atenção do SBT. Porém, sua entrevista só foi ao ar 5 dias depois da exibição do evento na emissora, através do Jô Soares Onze e Meia.

Para divulgar o evento, o SBT, através de sua agência W/Brazil, bolou algo que relacionasse premiação e a emissora. E, claro, prêmio é com o Lombardi. Em balões estilo história em quadrinhos, o SBT simulou como Silvio Santos perguntasse qual era o prêmio para Lombardi e abaixo Lombardi respondesse: “2º Prêmio Sharp de Música. Sábado, às 20h30, no SBT”. Acima, no texto de “abertura” do anúncio, também se faz referência a Lombardi: “Um prêmio que até o Lombardi gostaria de ter feito a entrega”.

Em tempos de Rock in Rio, nada melhor do que relembrar um dos expoentes de nosso rock (Cazuza) e aquele que soube, ao lado do Roque, representar toda a fidelidade ao patrão Silvio Santos (Lombardi). Cazuza e Lombardi eternos!

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