Cartas e Cartazes nº 102: SBT comemora audiência na Copa de 1990 e diz que povo vai esquecer do anúncio até 1994 (29/07/1990)




 Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)


Hoje no Cartas e Cartazes vamos dar continuidade aos nosso especial sobre a Copa do Mundo no SBT. Hoje vamos falar de 1990, que foi realizada na Itália e teve grande cobertura da emissora de Silvio Santos.

Coube a Roberto Cabrini, hoje âncora do Conexão Repórter, a coordenação da equipe de transmissão da Copa pelo SBT naquele ano, a segunda da história da emissora. Ele era o chefe de esportes da emissora e organizou uma das melhores coberturas que a emissora já conseguiu realizar.

Em 2011, em entrevista ao SBTpedia, Cabrini relembrou esse momento na carreira: “Contratamos Telê Santana, Sócrates e Emerson Leão que deram um show nos comentários e ainda o excelente João Carlos Albuquerque que era um coringa de comentarista e apresentador e o mestre Orlando Duarte, um dos profissionais mais brilhantes que já vi. Na narração, Luís Alfredo que veio da Globo, e Ivo Morganti, que já estava na emissora. Nos reportagens, Luís Ceará e Paulo Lima. Um grande destaque foi a criação do Amarelinho pelo departamento de criação visual do SBT. O slogan era “Itália 90, o SBT é mais Brasil”. Na retaguarda tínhamos nomes como Michel Laurence, Sidney Daguano, Roberto Salim (hoje na ESPN), Marcos Morganti. Não posso deixar de mencionar que tudo foi feito com a retaguarda de Luciano Callegari e seu filho Lucianinho, dois profissionais marcantes em minha carreira”.

Como Cabrini lembrou acima, a Copa de 1990 foi a estreia do personagem Amarelinho nas transmissões esportivas do SBT. Não só se tornaria um símbolo das transmissões do SBT, como seria mantido nas duas Copas posteriores transmitidas pelo SBT, além das Olimpíadas.

Outro fato curioso é que Leão, comentarista do SBT, não estava 100% exclusivo às funções da TV. Na época ele era técnico da Portuguesa (SP) e tinha que deixar de dar treino ao time para comentar os jogos pela emissora.

A época não era das mais estáveis financeiramente no País. Com o Plano Collor e inflação lá em cima, anunciantes ficavam temerosos em fazer grandes investimentos, como era o caso da Copa do Mundo. Para conseguir driblar isso, o SBT, através de seu diretor comercial, Walter Zagari, apostou em uma medida de oferecer um prazo de pagamento de 60 dias fora o mês do anúncio veiculado. Se medidas como essa não fossem anunciadas pela emissora, empresas como o Laboratório Anakol teriam cancelado o compromisso com a Copa no SBT. O faturamento era considerado essencial, tendo em vista que foram gastos 24 milhões de dólares divididos entre Globo, SBT, Manchete e Bandeirantes para transmitir o evento em pool. Só para se ter noção da gravidade da situação, a forma de pagamento do Banco do Brasil para patrocinar a Copa no SBT foi “abatimento das dívidas do Grupo Silvio Santos”.

Além da transmissão dos jogos, o SBT também apostava em boletins durante e programação. Às 11h30 e 00h30 tinha o “SBT Itália 90”, com a presença de comentaristas e às 7h25 e 18h30 tinha o boletim mais curto, com curiosidades que era o “A Copa das Copas”. Já às 00h45, eram exibidos pequenos compactos das partidas do dia na Copa.

Assim como vimos na semana passada com a Copa de 1994, a Copa de 1990 também teve um jingle no SBT.

O Brasil é bom de bola / E no campo deita e rola / Faz o jogo da emoção / E a torcida se levanta / com um grito na garganta / O Brasil é campeão. / Nessa não tem erro não / O Brasil vai ser campeão / E volta com a Copa na mão / Ô Ô Ô... Brasil.


Apesar do otimismo da letra composta para o SBT, a Copa do Mundo de 1990 não foi das melhores para o Brasil. Parou nas oitavas-de-final, perdendo a vaga para a Argentina de Caniggia (e que deixou muitos na lembrança o Amarelinho chorando desenfreadamente). Muito se suspeitou de uma suposta “água batizada” oferecida pela equipe da Argentina aos jogadores brasileiros naquela partida. O certo é que muito se suspeitava do poder de fogo da equipe de Sebastião Lazaroni, considerada muito defensiva para os padrões do futebol do nosso País e também pelas notícias de brigas internas no grupo, até mesmo divergências sobre premiações durante a Copa.

Um jogo bastante curioso foi a semifinal entre Argentina e Itália. Isso porque a maioria da torcida da cidade Nápoles (Itália), onde o jogo foi sediado, era fã incondicional de Maradona (que jogava no Napoli), grande astro da seleção concorrente, a Argentina. No SBT, o jogo teve narração de Luiz Alfredo, comentários de Leão e Orlando Duarte. Veja a decisão por pênaltis:


A transmissão da Copa pelo SBT foi um sucesso, dando a vice-liderança tranquila para a emissora, mesmo com a concorrência forte de Manchete e, principalmente, Bandeirantes. A W/Brazil, agência que comandava os anúncios do SBT, comemorou o resultado de uma maneira bastante curiosa na imprensa: “Pena que você vai esquecer deste anúncio até 1994”. O ano de 1994 foi citado, claro, por ser a próxima Copa do Mundo. Pelo jeito a memória curta dos brasileiros vem de longa data. Pelo menos o SBT levou isso com bom humor.

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