Realidade Virtual nº 1: O que teria acontecido se o SBT tivesse comprado o BBB em 2000?

Realidade Virtual nº 1: O que teria acontecido se o SBT tivesse comprado o BBB em 2000?

José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui) 


O “se” é uma palavrinha que não perdoa. Se isso, se aquilo. Ela demonstra que determinado fato não se tornou realidade, alguma pretensão frustrada ou algo que é almejado. “Ah, se o Brasil tivesse ganhado a Copa do Mundo em casa...”, “Era para eu ter ido para a balada, se não fosse você chegar”, “Vocês vão ver se eu conseguir passar no concurso”. A vida nossa é cheia de “se”. E, no caso da televisão, ele não poderia deixar de estar presente. A todo momento decisões são ajustadas, contratos são formulados ou desfeitos, formatos são adquiridos ou rejeitados. O sim ou não pode representar uma grande investida, um grande prejuízo. Mas como papel aceita tudo (como diria meu saudoso professor de Direito), aqui nós podemos dar ao luxo de vislumbrar as coisas sem gastar nada e, o melhor, dar aquela viajada sobre fatos que nunca mais podem ser recuperados ou sonhar como seriam determinados programas ou fatos se reeditados um dia.

Para abrir os trabalhos, vamos imaginar a seguinte situação: e se o SBT tivesse realmente comprado formato do Big Brother Brasil em 2000?

Sim! Para quem não sabe, o SBT esteve muito perto de um acordo com a Endemol em 2000 para produzir a versão nacional do Big Brother Brasil. Inclusive, em 15 de setembro daquele ano o jornalista Daniel Castro noticiou na Folha de São Paulo isso já como oficial. José Roberto Maluf (então vice-presidente da emissora) e Alfonso Aurin (diretor de engenharia da casa) estiveram na Holanda (sede da Endemol) para conhecer mais sobre a atração.


Mas, como sabemos, o formato foi parar na Rede Globo. Desde 2002 no ar pela emissora carioca, já foram 16 edições do reality, e se tornou um grande sucesso de faturamento e que ainda mantém bons números de audiência.

Passados tantos anos e já com o costume de vê-lo na Rede Globo, fica meio difícil imaginar como seria o BBB no SBT, não é verdade? Mas vamos tentar imaginar as implicações do reality na emissora.

A primeira consequência, quase que imediata, seria simples: com Big Brother Brasil, jamais teria existido a Casa dos Artistas. Mas ambos não poderiam coexistir na grade? Até poderia e seria um plus daqueles, mas vocês sabem o que é uma produtora/distribuidora de formatos internacionais. Jamais aceitariam um outro formato que pudesse competir internamente com seu principal produto. Vai que o contrato de produção do reality não é renovado com o SBT e a emissora segue produzindo a 'Casa' com sucesso? Nem questionar na Justiça poderiam mais. Teriam aceitado tacitamente a ideia da Casa não ser uma "cópia". E o SBT ganhando um formato 0800 para tocar dali em diante.

Mas voltamos à conclusão do parágrafo anterior: com BBB, não teria Casa dos Artistas. E essa consequência imediata é um baque daqueles. Alguém, em sã consciência, imaginaria a história do SBT sem a Casa dos Artistas e tudo que envolveu ela? A estreia repentina, o fato de envolver artistas, a interação incrível de Silvio Santos e Supla, os barracos de Alexandre Frota, a guerra de audiência ao vivo com o Fantástico e por aí vai.

E veja que a Casa dos Artistas não influenciou apenas “por si mesma”. Personagens do reality acabaram ganhando espaço na casa. Basta olha para a novela Marisol em 2002: Bárbara Paz (vencedora da “Casa”) virou protagonista da trama. Alexandre Frota, um dos antagonistas. O tema de abertura, “Eu te Amo Você”, interpretada por outra integrante do reality: Patrícia Coelho.

Aí pode até pensar que foi um exemplo isolado, mas não é verdade. A Casa dos Artistas 2 também gerou essa repercussão. Graças à participação do lutador Vitor Belfort na atração, o SBT transmitiu, pela primeira vez na TV aberta, uma luta de UFC, hoje fenômeno entre os jovens. E porque não falar que o fato de existir a Casa dos Artistas influenciou até o jornalismo do SBT? Cynthia Benini e Analice Nicolau acabaram ganhando notoriedade com o “patrão” e rapidamente ganharam espaço.

Toda a polêmica da Casa dos Artistas, desde a estreia de surpresa (quem imaginava aquilo?) até o fato da Globo tentar barrar o programa na Justiça hoje é guardada com muito saudosismo. Era tudo uma grande novidade e o fato do SBT ousar - mesmo que talvez contra as vias convencionais e corretas segundo a Justiça – era visto com bons olhos pelo público. Foi praticamente um “gran finale” para 2001, quando Silvio Santos foi eleito a personalidade do ano, após ter virado tema de escola de samba e ser sequestrado e mantido refém em sua própria casa.

Contudo, o fato de ser um formato “próprio” da emissora, acabou também sendo um problema. Além da acusação de plágio feita pela holandesa Endemol e pela Globo, Silvio Santos começou a mudar as regras repentinamente, perdendo um pouco da confiabilidade do reality. Além disso, o SBT fez edições muito próximas umas das outras, o que, caso tivesse adquirido o BBB lá no ano de 2000, tudo poderia ser evitado, até por imposição da produtora original.

A briga com a Endemol (que poderia ter sido um casamento feliz em 2000), fez com que o SBT se afastasse da produtora de formatos e só retomasse as relações, em 2006, ao adquirir o “Deal or no Deal”, aqui com o nome de Topa ou não Topa.

Penso que se o Big Brother Brasil tivesse sido adquirido pelo SBT, teria sido produzido nos mesmos moldes da Casa dos Artistas. Obviamente, claro, sem os artistas. Silvio Santos, certamente, teria tomado frente no projeto, e possivelmente sua estreia só se daria no ano de 2002, já que a Globo estava com “No Limite” no ar e o SBT esperaria o término da atração para abocanhar todo o público que gosta de realities. Com a Casa não houve essa preocupação de empurrar a estreia, já que a ideia era justamente antecipar a “novidade” do BBB, previsto para estrear no ano seguinte.

Em suma, o SBT poderia ter, com o BBB, um produto por mais tempo no ar, talvez mais organizado, e com faturamento alto até hoje. A Casa, por sua vez, acabou deixando a grade, tendo em vista as questões dos direitos e não é produzida desde 2004, quando foi ao ar a edição bastante modificada dos Protagonistas de Novela. Pior, deve render uma indenização milionária a ser paga pela emissora em breve. Mas, se me perguntassem, se eu trocaria a história da Casa dos Artistas pela do BBB eu certamente não o faria. Um dos maiores impactos que tive assistindo televisão foi naquele domingo em que Silvio Santos apareceu com um programa novo, um formato novo, com uma trilha impactante e um elenco que casou perfeitamente. Com um programa formatadinho, divulgado, com anônimos, a coisa nunca seria a mesma. Nesse caso, a loucura das ideias do Silvio Santos me traz grandes recordações.

E você? Consegue imaginar como seria o Big Brother Brasil no SBT? Trocaria a história da Casa dos Artistas pela produção do reality hoje na Globo? 

Tem algum tema em especial para a gente abordar no Realidade Virtual? Conte para gente. Deixe suas ideias e sugestões aqui no post.

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