Realidade Virtual nº 2: O que teria acontecido se Gugu tivesse aceitado ficar no SBT em 2009?

Realidade Virtual nº 2: O que teria acontecido se Gugu tivesse aceitado ficar no SBT em 2009?

José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

 
A possibilidade do SBT ficar sem Gugu um dia é algo que sempre permeou as discussões da emissora e do universo televisivo. Isso desde os anos 80 e a mítica história do Silvio Santos ir até o Roberto Marinho e trazê-lo de volta. Em 2006 aconteceu o primeiro ataque da Record. Saiu na imprensa até que Gugu estava “limpando as gavetas”. Mas ficou. O novo contrato era até 2010, mas já em 2009 aconteceu o assédio definitivo da Record e o rompimento da relação aconteceu: Gugu estava fora do SBT.

Até hoje esse capítulo da história da emissora é cercado de lendas. Foram dias intensos. A cada hora uma novidade. O momento não era dos melhores de audiência para o SBT, salvo no próprio domingo onde o ainda “novo” Programa Silvio Santos vinha entregando bem e ajudando o Domingo Legal a fechar com médias altas e beliscando liderança. Ratinho, de volta à grade diária, ainda não estava no seu horário tradicional (sendo exibido às 17h30) e sofria para entregar em um patamar adequado para o horário nobre. Pantanal havia acabado no início do ano e Dona Beija esteve longe de repetir o mesmo patamar da anterior. Já a novela da casa, Revelação, primeira novela de Íris Abravanel, também não emplacou. O SBT Show era uma das poucas alegrias na grade diária. Se desenhava, para muitos, um ambiente catastrófico com a saída de Gugu, quase sempre líder dos TOP 5 do SBT.

Pouca gente se lembra, mas o colunista Flávio Ricco noticiou naquela época que Silvio Santos havia acertado a permanência do apresentador, cobrindo a louca proposta da Record de R$ 3 milhões mensais. Isso foi dia 18 de junho de 2009, às 18h47. O caso foi bem nebuloso, pouco se sabe como foi isso. Se houve uma reviravolta logo depois, se Silvio reconsiderou a proposta ou se Gugu, mesmo com a boa vontade financeira de Silvio Santos, quis mesmo assim ir embora.  


Mas a questão é: e se Gugu tivesse ficado no SBT em 2009? O que mudaria na história do SBT? Podemos dizer que muita coisa. Muita mesmo. Teve efeitos diretos (em relação à presença do apresentador e ao Domingo Legal) e também efeitos indiretos dos mais diversos.

Uma delas, curiosamente, implica o atual apresentador do Domingo Legal. Em suas entrevistas, Celso Portiolli sempre disse que estava decidido, em 2009, a deixar a emissora que estava desde 1993. Ou seja, uma eventual permanência de Gugu, muito provavelmente teria levado Celso a sair do SBT. Ainda mais considerando que o “custo Gugu” implicaria no fato da emissora apertar os cintos e, certamente, Celso, que estava fora do ar, poderia se tornar um alvo preferencial. 

Outro efeito seria o Domingo Legal. Sem saída do apresentador não teria “enquanto o Gugu prepara a mudança” e assim a atração permaneceria intacta no horário nobre. O 8 e Meia no Cinema, que foi extinto em agosto, poderia ter continuado na grade, mas acho bem provável que Gugu quisesse avançar o horário das 22h30 para ter maiores possibilidades de liderar por mais tempo. Tanto que na Record acabou ocupando, em um primeiro momento, a faixa das 20h às 00h.

Outro fator relevante é a direção do programa. O clima para a permanência de Homero Salles no SBT em 2009 era praticamente insustentável. Com o “fico” de Gugu, Homero só continuaria no posto se Gugu fizesse a emissora “engolir” a presença do diretor. “Ou ele fica, ou eu saio”, mais ou menos assim. Vale lembrar que as últimas edições do Domingo Legal, ainda com Gugu e em vias de sair da emissora, teve direção-geral de Dirlan Jorge, um dos diretores do programa. Acredito que ele seria efetivado no posto, se dependesse do SBT (e tão somente) naquela oportunidade. Magrão, assim, continuaria no Programa Silvio Santos, onde estava desde 2008.

E como teria ficado o Domingo Legal, em seu conteúdo, se Gugu tivesse optado pelo SBT naquela oportunidade? Dependeria, provavelmente, de quem seria o diretor, tópico que exploramos acima. Mas a ideia de apostar na emoção (quadros Encontros, Aconteceu Comigo, De Volta para Minha Terra e Construindo um Sonho) provavelmente iria continuar. O Lendas Urbanas, que havia estreado um ano antes, em 2008, também estava em alta no período (tanto que Gugu colocou no programa da Record uma “cópia” chamada “Novas Lendas Urbanas”). E o TOP 10 da Internet, que já existia, também iria render frutos, tanto que ajudou Portiolli a consolidar o atual horário do programa entre 2009 e 2010, com vários momentos de liderança. Pouco tempo antes de sair, Gugu realizou uma reportagem (foto abaixo) dos santos incorruptos, na Itália, acompanhado do padre Robson de Oliveira. Essa talvez tenha sido a “novidade abortada” para aquele período, com o apresentador apostando em mais reportagens externas e internacionais, coisa que havia sido praticamente abandonada na gestão Homero desde 2006. Também naquele 2009, havia estreado um reality chamado “Aventura Legal”, com Silvana Kieling no comando. Durou apenas uma edição: talvez pelos custos, talvez porque já pensavam em cair fora... O certo é que a ideia era bacana e poderia ter futuro também com o ex-apresentador do SBT.

 Matéria sobre "Santos Incorruptos" foi a última de Gugu no SBT; retomada de reportagens externas e internacionais do apresentador poderia ter sido novidade a partir de 2009

Um dos efeitos indiretos da saída de Gugu e consequentemente de sua não permanência, foi o contra-ataque de Silvio Santos. E de junho a agosto de 2009, ele levou Paulo Franco, Leonor Corrêa e Márcio Esquilo (diretores), Tiago Santiago e Renata Dias Gomes (novelistas) e Eliana, Roberto Justus e Richard Rasmussen (apresentadores) e Roberto Cabrini (jornalista). Veja que uma eventual permanência de Gugu em 2009 mudaria totalmente o panorama de vários setores do SBT. Muito provavelmente não teria existido o game “1 contra 100” e o programa de reportagens “Aventura Selvagem”; Eliana dificilmente voltaria para o SBT em um curto espaço de tempo pela falta de espaço na grade dominical; o SBT não teria ganhado o Prêmio Esso de Telejornalismo em 2010 com matéria que repercutiu mundialmente exibida no Conexão Repórter de Cabrini e o primeiro beijo gay da teledramaturgia não teria saído da emissora, em Amor e Revolução, de Tiago Santiago. Isso sem contar que Leonor Corrêa hoje poderia não estar assinando como autora principal do remake de “Carinha de Anjo”, uma vez que, naquela época, estava na direção (e com sucesso há 5 anos) do programa “O Melhor do Brasil”, da Record. Veja como os efeitos são vistos até hoje.

Talvez a saída de Gugu tenha sido benéfica exatamente nesse sentido: a emissora pôde distribuir melhor seus investimentos ao longo da semana, sem focalizar tão somente os domingos. O Programa Silvio Santos, que assumiu a vaga no horário nobre, tem mantido uma audiência boa, no patamar dos dois dígitos. No Rio, inclusive, com ampla margem de vitória sobre a Record. Obviamente não dá para negar que Gugu era um importante nome para a emissora, visto sua ligação histórica com a casa e com Silvio Santos. Tamanho ligação que acredito que esse foi um dos fatos determinantes de não ter deslanchado como queria na Record. “Mas um dia volta”, disse Silvio Santos recentemente em seu dominical. Será?

E você? O que acha que teria acontecido no SBT se Gugu tivesse permanecido? SBT ficaria melhor com ele ou sem ele?

Tem algum tema em especial para a gente abordar no Realidade Virtual? Conte para gente. Deixe suas ideias e sugestões aqui no post.

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