Tribuna SBTpedia: As expectativas para 'A Garota da Moto', por Rafael Fialho

As expectativas para "A Garota da Moto"

Por Rafael Fialho* (rafaelbfialho@gmail.com)

Desde quando anunciou a produção de A garota da moto, série em parceria com a produtora Mixer e a FOX, o SBT surpreendeu; tanto pela falta de tradição no formato seriado de curta duração quanto pelo modelo de co-produção, cada vez mais comum no Brasil, mas ainda pouco explorado pela emissora.

 Imagem de gravação da série. Reprodução.

As expectativas são interessantes, já que, mais do que audiência, essa experiência pode trazer bons frutos: além de oferecer maior variedade na teledramaturgia dominada pelas novelas mexicanas e infantis, a série abre boas condições de faturamento ao ser exibida em dois canais. O incentivo à produção nacional em ficção, financiada pela Ancine, pode repercutir positivamente para o SBT, historicamente criticado por não investir tanto em conteúdo brasileiro.

Embora tenha sido pauta de matéria no SBT Rio e já esteja ganhando várias chamadas, ainda não é possível saber muito sobre a sinopse da trama. Se o mote “garota que ganha a vida como motoboy nas ruas de São Paulo”, divulgado inicialmente, era uma incógnita, aos poucos estamos sendo apresentados a um enredo mais complexo, que envolve a fuga de uma mocinha (Joana) envolvida em um caso extraconjugal com um ricaço. A relação teve como fruto um filho, perseguido pela viúva do milionário (Bernarda) que não quer perder a herança, e a garota agora tem uma única preocupação: proteger sua cria.

Com essa história, a série parece se aproximar do estilo do SBT, marcado por tipos clássicos como “mocinha sofredora” e “vilã ambiciosa”. Os fracassos da teledramaturgia da emissora mostram claramente que qualquer proposta que fuja de fórmulas clichês do melodrama é rejeitada pelo público cativo, que prefere tramas simples e açucaradas. Se o embate proposto por algumas vinhetas se efetivar, há chances para bons resultados. Aliás, há expectativa em Daniela Escobar, nome da Globo que sem dúvidas chama atenção, a quem coube o papel de infernizar Christiana Ubach, atriz pouco conhecida do grande público, apesar do trabalho em algumas novelas como Malhação e Além do Horizonte.


Chamada destaca o conflito entre Joana (Christiana Ubach) e Bernarda (Daniela Escobar), gancho que pode ser o chamariz para a audiência fiel do SBT

Sem grandes nomes à frente do projeto, não se sabe exatamente o que esperar da produção da Mixer, responsável por dramas mais direcionados à TV fechada, como Descolados (MTV), Mothern (GNT) e O Negócio (HBO). As poucas experiências em emissoras abertas – Brilhante F.C. (TV Brasil), Julie e os fantasmas (Band) e a animação de Sítio do picapau amarelo (Globo) – não foram grandes sucessos, resultando em produtos qualificados, mas com cara de TV paga. A aposta na ambientação em São Paulo e no núcleo de motoboys pode, contudo, gerar identificação com o público popular do SBT.

Alguns sites dão conta de que a série será exibida às 21h30, de segunda a sexta; o SBT ainda não deu maiores informações e não definiu se a estreia ocorrerá entre Cúmplices de um resgate e Carrossel ou se a exibição substituirá a novela de Cirilo e sua turma. Por enquanto, os detalhes são tão misteriosos quanto o enredo da série, criando curiosidade e dúvidas como: será que a garota da moto vai ser a garota da audiência?

Mais: leia o texto de Gabriel Reis sobre A garota da moto no Tribuna SBTpedia.
 
*Jornalista, Rafael Fialho é doutorando em Comunicação Social pela UFMG e fez do SBT seu objeto de estudo: pesquisa o canal há tempo, tendo se dedicado a pesquisas sobre os SBTistas, Silvio Santos e sobre a interação da emissora com seu público a partir das vinhetas. Atualmente pesquisa a tematização da violência contra a mulher no programa Casos de Família. Escreve artigos de opinião às quartas-feiras no SBTpedia. Para conhecer seus trabalhos sobre o SBT, mandar críticas, sugestões ou trocar ideias, escreva para rafaelbfialho@gmail.com    

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