Realidade Virtual nº 4: O que teria acontecido com o SBT se Silvio Santos tivesse virado presidente em 1989?

Realidade Virtual nº 3: O que teria acontecido com o SBT se Silvio Santos tivesse virado presidente em 1989?

José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

JINGLE 1 - CAMPANHA 1989

Silvio Santos, 26
Silvio Santos, 26
Quem sabe, sabe
Conhece bem
Capacidade que o Silvio tem.

Quem sabe, sabe sabe por também
Vota no Silvio Santos, vota no 26.

Eu estava indeciso, estava como vocês,
Agora sou Silvio Santos, voto no 26 (bis)

Já tenho em quem votar,
Silvio Santos 26.

Pra tudo melhorar,
Silvio Santos 26.

Indeciso eu não sou mais,
Silvio Santos 26.
JINGLE 2 - CAMPANHA 1989 

Chegou aquele que a gente queria
Para o Brasil governar
Agora o povo está contente
Já temos em quem votar.

É o 26, é o 26
Com Silvio Santos chegou a nossa vez (bis)

Silvio Santos já chegou
E é o 26

Silvio Santos já chegou
E é o 26

Silvio Santos já chegou
E o Brasil ganhou... 26!



 

Acima, os dois jingles que Silvio Santos usou na meteórica campanha de 1989 pelo insignificante PMB (Partido Municipalista Brasileiro). Aqui cabe um parênteses: Silvio Santos havia se filiado ao PFL em 1988 e disse em alto e bom som no Show de Calouros que iria substituir Aureliano Chaves na disputa. O 26, portanto, era pra ser 25. Acabou que não deu liga, e teve que ir (ou tentar ir) pelo PMB mesmo. É, o patrão queria ser Presidente da República e pra isso, se inspirou nas suas características mais marcantes: impulso e improviso. Com direito a votar em Armando Corrêa porque a cédula já estava pronta. Acabou cassado pelo TSE antes da disputa.


Mas se ele tivesse chegado lá? Não era impossível. Muitas pesquisas apontavam que Silvio Santos, de cara, já despontava como um dos favoritos. Com uma eleição de quase duas dezenas de candidatos, a fragmentação dos votos favorecia o novo postulante ao cargo máximo do País. E o poderoso chefão tinha quatro pontos favoráveis que muitos outros sofriam para conquistar: fator novidade na política (Silvio nunca havia se candidatado a nada), penetração nas classes mais pobres, nome de amplo conhecimento de toda a população e, por isso, ter uma candidatura de apelo nacional e não algo com forte capilaridade em determinados estados específicos apenas (caso de Brizola e Maluf, por exemplo). 

 Momento exato em que Silvio Santos anunciava que se candidataria à Presidência em 1989

Em recente livro publicado, de 2014, “Tudo o que vi e vivi”, Rosane Collor (ex-primeira dama) disse que Collor teria encomendado um trabalho de bruxaria para que a candidatura não prosperasse, com direito a defuntos e fetos humanos. Verdade ou não, a preocupação de Collor não era em vão. Estava ali alguém capaz de disputar com ele na oratória e que, atacado, muita gente do povo poderia ser sentir também, pelo grau de proximidade com o público. Foi seu partido, o PRN, que vasculhando dezenas de cartórios, descobriu que Silvio Santos ainda ocupava cargo de gerência na empresa TV Studios Brasília Sociedade Civil Ltda, uma das peças-chave que impugnou sua candidatura. 

Mas vamos ao que o texto de hoje se propõe: Silvio Santos, eleito em 1989, como teria ficado o SBT a partir de 1990? Certamente e logicamente seria uma emissora muito forte e influente, afinal gozaria de apoio estatal sem precedentes. Mesmo com a crise que o Brasil vivia na época na economia, o apoio da publicidade estatal (principalmente naqueles tempos muito pró-Globo) seria fundamental para o SBT sair daquela crise. Com isso, talvez, a Tele Sena nem tivesse surgido em 1991 ou aparecesse apenas como um complemento. A tendência seria Silvio Santos procurar regularizar jogos de azar, inclusive cassinos, o que poderia levar a uma disseminação grande desses sorteios em vários veículos. 

Outro fator fundamental seria: quem passaria a tomar as rédeas do SBT? Uma coisa seria uma saidinha básica para uma viagem ou campanha, outra bem diferente seriam 4 anos longe do canal. O mais provável seria o nome do seu sobrinho Guilherme Stoliar, hoje presidente do Grupo Silvio Santos e, à época, vice-presidente da emissora. Ele teria, certamente, apoio de estrelas da casa, como Boris Casoy, muito próximo a ele. Entusiasta do jornalismo e de esportes na grade, certamente formaria o núcleo duro da casa, provavelmente alçando Luciano Callegari a vice-presidente. Mas quem duvida que Silvio Santos continuaria palpitando, lá de Brasília, na programação? Ele não aguentaria. 

Outra questão importantíssima é: como ficaria os domingos sem Silvio Santos? O teste foi realizado no dia 5 de novembro de 1989, o único domingo que Silvio Santos ficou fora do ar naquela campanha. Somente os programas de auditório apresentados por Gugu Liberato, das 14h10 às 15h40, “Passa ou Repassa”, “TV Animal” e “Corrida Maluca” (em excelente fase na época), foram mantidos. Foram suspensos “Qual é a Música” (10h30), “Show de Prêmios” (15h), “Porta da Esperança” (19h15), “Arranhe e Ganhe” (20h20) e “Show de Calouros”. No lugar, foram apresentados os filmes “Os Canhões de Navarone” e “Cidade Ardente”. 

Curiosamente foi nesse período que Silvio Santos recuperava a liderança aos domingos, depois de Fausto Silva ter estreado o “Domingão do Faustão”, na Rede Globo e provocado grandes dificuldades para o animador do SBT. A saída dele, logo naquele momento, poderia colocar novamente tudo a perder. Creio que sua saída dos domingos abriria espaço para Gugu ter mais tempo na grade, mas não ficaria apenas nisso. A emissora, provavelmente, buscaria atrações para acomodar durante as várias horas que ficaram no ar. E a Globo provavelmente seria o foco central: Xuxa, que foi assediada quando da quase saída de Gugu para a Globo, e “Os Trapalhões”, que tinha forte relação com o apresentador e diretor Carlos Alberto de Nóbrega, certamente seriam alvos preferenciais. Correria por fora, algum programa com Chico Anysio, que no início de 1989 já quase havia acertado contrato com o canal, tendo a revista Veja dada como certa a negociação. Também não se descartaria a solução caseira, com presença de Hebe Camargo aos domingos, ideia do apresentador em 1993, que não deu muito certo. 

E o que ficaríamos sem ver com Silvio Santos no Planalto entre 1990 e 1994? Muita, muita coisa. Vale lembrar que o quadro Tudo por Dinheiro só se transformou no mítico programa “Topa Tudo por Dinheiro” em 1991. Ficaríamos, só a título de exemplo, sem a cena inesquecível de Silvio Santos caindo dentro do tanque com água, de 16 de agosto de 1992.


Cena mítica de Silvio Santos caindo no tanque com água no Topa Tudo poderia não ter existido

E quem do SBT Silvio Santos levaria para Brasília? Existiram muitas brincadeiras a respeito, mas acho improvável que artistas da emissora ocupassem cargos relevantes e políticos. Creio que as figuras do SBT seriam usadas para campanhas institucionais da administração, com Hebe falando para as mulheres, Gugu para os jovens, Boris para um público formador de opinião... 

Vale lembrar que Silvio Santos já havia ameaçado ser candidato a prefeito de São Paulo em 1988. Hoje pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, João Dória Júnior era visto como vice provável do dono do SBT. E durante muitos anos seu nome foi colocado na disputa. Pela última vez em 2002, quando foi cogitado para substituir Roseana Sarney, como candidato do PFL à Presidência. 

E aí, com Silvio Santos presidente, o que mudaria no SBT? Seria bom ou ruim para a emissora? 

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