Tribuna SBTpedia: 'Ídolos', por Gabriel Reis

"Ídolos"

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)


Hoje dois grandes formatos de reality shows musicais estão no ar na TV brasileira: “The Voice” e “X Factor”’. O primeiro exibido com grande sucesso pela TV Globo; o segundo, com audiência abaixo do esperado, transmitido pela Band. O que muitos não falam, é que o primeiro grande formato musical estrangeiro a ter sucesso no Brasil foi justamente o “Ídolos”, exibido pelo SBT, em 2006. 

Anunciado desde o início de 2005, “Ídolos” era o maior formato internacional da televisão mundial na época. O “American Idol” era, disparado, a maior audiência da televisão americana e a versão inglesa (o original “Pop Idol”) era anunciada pelo SBT como o “maior fenômeno desde os Beatles”.

 Chamada do SBT anunciando as novidades em sua programação. A partir do minuto 3´51´´ é possível ver a chamada para a versão brasileira de “American Idol”. Na época, nem o nome “Ídolos” havia sido oficializado

A estreia no SBT só ocorreu em abril de 2006 e, apesar da alta expectativa por parte dos diretores do SBT, o público tinha muitos motivos para desconfiar do sucesso do programa. Todos os formatos internacionais pós-Casa dos Artistas que o SBT tentou emplacar fracassaram. Dentre inúmeras tentativas, o SBT lançou entre 2002 e 2005: “Ilha da Sedução”, “Eu compro o seu televisor”, “O Conquistador do Fim do Mundo”, “Casa dos Artistas: Protagonistas de Novela”, “O Grande Perdedor” e “Casamento à moda antiga”. Todos acabaram decepcionando por diversos motivos: audiência abaixo do esperado, produções mal cuidadas, vazamento de resultados antes do final do programa, ausência de programas ao vivo, etc. A segunda razão era que a própria Globo não conseguiu emplacar o “Fama” em audiência, outro reality musical, tendo dificuldades para vencer o “Programa Raul Gil”. Caberia ao SBT tentar emplacar primeira a versão moderna dos antigos shows de calouros. 

O ano de 2006 era importantíssimo para o SBT: era o ano das bodas de prata da emissora e a Record incomodava cada vez mais no IBOPE. Com esse cenário, uma série de novos programas foram lançados e, dentre todos eles, “Ídolos” era o principal. Para combater a estreia do “American Idol” brasileiro, a Record escalou “Hulk”, um dos filmes mais fortes de seu acervo. Na época, na guerra de domingo entre os blockbusters de Record e SBT, “Hulk” havia marcado 18 pontos, impondo a maior derrota ao SBT naquela faixa horária. E a tática da Record deu certo: “Ídolos” amargou a terceira colocação no IBOPE, com 10 pontos, sendo derrotado pelo super-herói da Marvel.

Da esquerda para direita: Miranda, Thomas, Cyz e Arnaldo Saccomani, jurados das duas primeiras edições programa “Ídolos”. Foto: Divulgação/SBT

Se a estreia foi mal em audiência, os programas seguintes foram marcados pelo sucesso. O programa subiu de audiência e repercutia na internet e na concorrência. A audiência, antes em 10 pontos, passava habitualmente de 20 nos picos e chegou a fechar em médias acima de 15 pontos. O sucesso foi tanto que o programa ganhou um especial aos domingos, na faixa das 14 horas, que venceu o “Domingão do Faustão” no confronto direto. Curiosamente, anos depois, foi a faixa horária escolhida pela Globo para exibição do “The Voice Brasil”. O “Pânico na TV” logo tratou de fazer a sua versão cômica do formato e levar o quarteto de jurados na Jovem Pan; o “Superpop” levou ao palco do programa um reprovado no “Ídolos” tentando polemizar em cima do assunto; o “TV Fama” chegou a exibir trechos do “American Idol” para turbinar sua audiência; o YouTube, ainda em formação, tinha nos vídeos do “Ídolos” seus maiores hits. 

A partir das fases dos shows ao vivo, o programa teve uma queda de audiência, principalmente pela falta do humor, muito presente na fase de audições, mas também pela ausência de famosos de peso, algo que o próprio SBT melhorou na segunda temporada. No entanto, nada que apagasse as boas médias anteriores ou que impedisse que a final marcasse espantosos 16 pontos de média, com 20 de pico.

 A final da primeira temporada foi destaque no jornal “O Globo”. Foram 16 pontos de média, 20 pico e liderança nos 25 minutos finais de exibição.

Fica o lamento apenas pela vida curta do reality no SBT. A segunda temporada foi imensamente prejudicada pelo seu horário de exibição (20h15), apesar de ter sido mais divulgada, ter uma fase de shows mais bem cuidada e apostar numa fase de audições maior. Um programa que poderia marcar tranquilamente mais de 15 pontos, estreou com apenas 7. Com muito esforço chegou a 12 de média, conseguindo, no primeiro dia em que foi “esticado” e herdou a migração pós-novela da Globo, picar 20 pontos.

 Lucas e Leandro: finalistas da primeira edição. Foto retirada do site O Fuxico

Infelizmente, por desacertos entre SBT e Endemol, “Ídolos” migrou para a Record. Acabou sendo ruim para todos: o “Ídolos” na Record teve menos repercussão e audiência do que no SBT, e depois nenhum outro formato de reality de calouros que o SBT colocou no ar teve a grandeza do “Ídolos”. 

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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