Opinião SBTpedia: SBT, cuide bem da marca Aqui Agora, por José Eustáquio Júnior

SBT, cuide bem da marca Aqui Agora
  
Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)


Os bastidores do SBT estão extremamente agitados nos últimos dias. A cada hora uma surpresa diferente. A cada momento uma mudança. Esse é o jeito Silvio Santos de trabalhar. Corre a informação, dentre tantas por aí, que um dos projetos do dono da emissora para o início de 2017 é a volta do jornalístico Aqui Agora.

Tem aqui até um fato surpreendente. Se não for apenas um boato, temos quase um milagre agindo sobre nossos olhos. Silvio Santos não lançou a nova aposta na segunda-feira posterior à ideia “brilhante”, sem a já tradicional falta de tempo para se preparar cenário, projeto, contratações, formato e chamadas. Quando muito, um pilotinho no fim de semana.

Pois bem. O Aqui Agora é uma das marcas mais fortes da história do telejornalismo brasileiro. A ideia de jornalismo popular que influenciou muito a TV, a trilha, a câmera nervosa, a identificação do público com seu repórter preferido, as manchetes criativas, a formação de grandes contadores de história.

Uma das coisas que mais me chateiam na história do SBT foi a falta de continuidade do Aqui Agora. O jornalístico era para estar no ar aí até hoje, como grande marca do jornalismo da casa. Algo que o público pudesse ouvir a trilha, ver uma matéria e pá: identificar de cara, ali no ar, o jornalismo da emissora.

Importante aqui abrir um parênteses histórico. O Aqui Agora foi muito maltratado por Silvio Santos. Em 1993, na empolgação dos seus altos índices, chegou a ter duas edições diárias, uma às 18h e outra às 20h, ensanduichando o TJ Brasil. Em dezembro de 1995, foi pra tarde para ceder lugar ao cult SBT Notícias, que não tinha cenário pronto e estava previsto para entrar no ar só em março do ano seguinte. A brincadeira durou 30 dias e o SBT Notícias saiu do ar. No final de 1996, tirou Christina Rocha e Ivo Morganti do comando, tirando uma das marcas da atração. Em 1997, o programa saiu do ar em definitivo sem saber, devido ao sucesso da estreia do Fantasia.

Acho que até hoje o Silvio Santos sente um pouco de remorso de tudo isso. Um pouco de “era feliz e não sabia”. Aí, sempre que pode, Silvio Santos tenta uma investida para ressuscitá-lo. Em 2005, esteve muito próximo de Datena para a missão e acabou não acontecendo. Em 2008, o programa iria se chamar Jornal Policial, mas acabou sendo Aqui Agora mesmo. Já em 2013, Neila Medeiros (a única capaz de vencer...) foi colocada contra os leões primeiramente no comando do Aqui Agora, depois do Boletim de Ocorrências e por fim do SBT Notícias. Isso num espaço de três dias mudando de nomes nas chamadas.

Fato é que Silvio Santos, cada vez mais, quer resultado rápido com pouco investimento. Uma equação que quase sempre dá resultado errado e prejuízo à grade. Hoje a emissora não consegue minimamente lançar um jornal popular porque ou a coisa é feita às coxas, na correria, ou é feita na esculhambação, vide dancinhas matutinas no ar.

É preciso ter planejamento. “Vamos voltar com o Aqui Agora”. E aí? Será um jornalístico com exibição local na faixa da tarde? Qual o perfil de público desse horário? A nova versão manteria o foco nos repórteres, como a primeira, ou teria um âncora mais presente como os atuais Datena e Marcelo Rezende? Quais são as pautas hoje que o público não se vê representado por repórteres, como foi um dia inovador Russomanno e os direitos dos consumidores? Como criar um elo novamente entre telespectador e equipe do programa para que um novo Aqui Agora possa novamente ser a “primeira opção” de socorro da população? Que tipo de ferramentas e canais podem ser criados para que isso seja uma forma de conseguir exclusivas?

Todas as questões acima merecem e precisam ser respondidas. E, claro, acompanhadas de investimento. Nada adianta querer colocar jornalismo e jornalismo na grade se não tiver uma equipe e estrutura forte. Nesse caso, se for para fazer algo meia boca é melhor nem voltar com o Aqui Agora. Esse nome merece o mínimo de respeito pela sua história e tradição. E não merece ser alvo de mais um capricho.

Veja que o Aqui Agora de 2008 não deu certo por “N” questões, envolvendo a fase de audiência da emissora que não era boa, concorrente de jornalísticos consolidados no horário, brigas internas (lembram do soco?), processo por conta de formato (lembra do auditório?). Até epidemia de conjuntivite teve com o casting da atração. Uma verdadeira praga generalizada. Contudo, a equipe era boa, tinha vários repórteres, produtores e diretores da fase áurea do programa. Se tivessem tido paciência ou deslocado para um horário de menor concorrência, quem sabe não poderia ter durado muito mais? Um mês e 7 dias foi o bastante para Silvio Santos mandar todo mundo embora.

Sempre sonhei com o SBT fazendo algo desse tipo novamente na grade. Uma emissora popular como tal não pode incompetente de conseguir criar um jornalismo com esse perfil. Em tempos de padronização extrema dos telejornais da emissora, por ordem de Silvio Santos, poderia ser até um suspiro de esperança.

Mas vindo de Silvio Santos as esperanças são remotas de algo dar certo ou de um projeto ter uma duração de longo prazo. Ele vai querer tomar conta, intervir, mudar até estragar tudo de bom que por acaso o Departamento de Jornalismo conseguir montar. Isso se deixar o Departamento responsável pela formatação do jornalístico. Porque, na atual circunstância que vivemos e vivenciamos, o homem está centralizando tudo. Até quando?

Talvez, até o mais sensato seja buscar criar um jornalístico novo, com novo nome, mantida a essência do que foi o Aqui Agora. Sem o peso da comparação e a responsabilidade de substituir ícones do jornalismo popular, as coisas poderiam fluir melhor. Se por acaso ficar mantido mesmo o nome Aqui Agora, espero que a emissora consiga, de alguma forma, preservar a marca, colocando no ar algo a altura do que o programa representa na história da emissora.

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