Tribuna SBTpedia: Cinema 2017: O que o SBT pode fazer, por Gabriel Reis

Cinema 2017: O que o SBT pode fazer

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)

 
Desde a assinatura do contrato do SBT com a Disney, em 1997, e com a Warner, em 2000, o SBT se tornou a grande referência na exibição de filmes na televisão brasileira. Desde então, novas sessões de filmes “campeãs de audiência” foram criadas como “Cine Espetacular”, “Tela de Sucessos”, “Cinespecial” e “8 e Meia no Cinema”. Paralelamente, contratos com outras distribuidoras foram assinados (MGM e Paramount) reforçando ainda mais as sessões de cinema da casa e fazendo o SBT ter o melhor acervo de filmes do país, algo impensável até o ano de 1997, quando a Globo monopolizava todos os contratos com as empresas hollywoodianas, algo próximo do que faz hoje com o futebol brasileiro. 

No entanto, o que se viu na segunda metade da década de 2000 foi a perda de força dos filmes em TV aberta. A consequência disso foi a perda de interesse do SBT em renovar seus compromissos com os estúdios de Hollywood. Se em 2004, vimos “Harry Potter e Pedra Filosofal” marcar 31 pontos de média e ser a maior audiência do SBT no ano, o recorde de um filme no SBT em 2016 é de “Carrossel – O Filme”, com 12.3 pontos. Os contratos com as grandes distribuidoras, aos poucos, também não foram renovados: a Disney teve seu último ano no SBT em 2004, assim como a MGM em 2006, Paramount em 2007 e a Warner em 2013.


Com o abandono dos grandes contratos, as sessões de filmes do SBT começaram a ser exibidas cada vez mais tarde e os grandes lançamentos começaram a ficar cada vez menos frequentes. O clássico e aguardado “chamadão de filmes” do início do ano também começou a desaparecer: em 2014 e 2016 sequer foi exibido e em 2015 o “chamadão” acabou sendo um “catadão” com títulos de diversas distribuidoras. 

“SBT Cinema 2015”: apesar de ser uma chamada de longa duração e com 22 títulos, a análise mais detalhada mostra um pacote questionável: os três filmes mais fortes do pacote eram remanescentes do acordo com a Warner: “Happy Feet 2: O Pinguim”, “Premonição 5” e “Fúria de Titãs 2”. Fora isso, o pacote era formado por títulos desconhecidos da Califórnia Filmes (“Olhos de Dragão” e “Confronto Final”), títulos da Nickelodeon que sequer foram lançados nos cinemas (“Jinxed” e “Swindle”) e por títulos da Columbia Pictures dispensados pela Globo, alguns bem “envelhecidos” para a época como o "O Exterminador do Futuro: A Salvação" (2009). E o SBT ainda passou pela “vergonha” de ter que retirar um filme dessa chamada (“A Lista”), pois este havia sido adquirido pela Globo junto a Columbia. 

No entanto, apesar da forte queda de audiência, no atual cenário do SBT e da televisão como um todo, os filmes ainda demostram uma certa relevância. Nas últimas cinco exibições, o “Cine Espetacular” liderou na média geral em quatro oportunidades (18/10, 25/10, 01/11 e 08/11), mesmo tendo exibido somente filmes muitas vezes reprisados; nesse mesmo período ainda tivemos uma liderança da “Tela de Sucessos” (no dia 21/10) e um ótimo desempenho de “Barbie e suas Irmãs em uma Busca dos Cachorrinhos", único inédito no período, que chegou a 14 pontos de pico (e 9.2 de média). Na Globo, a curva descendente de audiência também parece ter sido estancada. Em 2014, a “Tela Quente”, principal sessão de filmes da emissora, fechou com 16 de média. Em 2015 o índice pulou para 17 pontos. Em julho desse ano conseguiu chegar a 19. São índices consideráveis e superiores a muitos programas da linha de shows da Globo. 

Além desse ponto, é fundamental olharmos para a nossa concorrência. A TV Globo hoje tem hoje o seu melhor acervo de filmes dos últimos vinte anos, com os principais títulos de FOX, Warner, Disney, Paramount e Columbia, dentre outras distribuidoras menores. A Record ainda tem um contrato em vigor com a Universal Pictures e acabou de adquirir os filmes da saga “O Hobbit” da MGM. E até a Band, com pouquíssima tradição no ramo adquiriu boas reprises para o seu acervo junto a diversas distribuidoras, dentre elas: Universal (“Jurassic Park 3”), Paramount (“Missão Impossível” e “Guerra dos Mundos”) e FOX (“Esqueceram de Mim”).

Com este cenário e com uma possível nova vaga para exibição de filmes aos  sábados (a tarde, na transição entre Raul Gil e Portiolli, ou a noite, de forma fixa), simulamos um cenário possível de ser construído para o “Cinema SBT 2017”. Ele se baseia em um contrato com a Universal Pictures e com a compra de títulos avulsos de outras distribuidoras. 

1 – Acordo com a Universal Pictures

Com previsão de término para o final do próximo mês, o contrato entre Universal e Record ainda não foi renovado. Cada vez menos utilizados pela emissora do Bispo Macedo, os filmes da gigante norte-americana cairiam com uma luva no SBT, e em caso de uma assinatura de contrato, com o mesmo tempo de janela utilizado pela Record, o pacote da Universal para o ano que vem incluiria, dentre outros títulos: “Cinquenta tons de cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Jurassic World”, “Minions”, “Everest”, “A Visita”, “A Colina Escarlate”, “Ted 2” e “Steve Jobs”. Um dos pacotes mais fortes da empresa hollywoodiana nos últimos anos.

O acordo com a Universal aqui é fundamental, pois ela é a única grande major do cinema norte-americano que ficará sem contrato com Globo ou Record a partir de 2017. Em setembro publicamos aqui uma coluna com mais detalhes do que poderia representar um acordo entre SBT e Universal Pictures (leia aqui). 

2 – Aposta em filmes infantis de Disney e Nickelodeon

Com uma enorme tradição junto ao público infantil, a aposta nesse segmento pelo SBT é natural. Além dos excelentes resultados de filmes deste gênero (como os nos casos de “Carrossel – O Filme” e “Barbie e suas Irmãs em uma Busca dos Cachorrinhos" já citados aqui), o SBT deve aproveitar os contratos estabelecidos com Disney e Nickelodeon para adquirir os filmes infantis lançados por essas duas companhias. 

Mesmo que em sua grande maioria os filmes reservados para o SBT são aqueles lançados somente em TV a cabo, esses filmes deveriam ser melhor utilizados ao longo da grade. É bem verdade, que jogá-los numa disputa com o “Domingo Show” ou deixá-los responsáveis por liderar um pacote de filmes é “suicídio” (como vimos com o “Mundo Disney”), mas encaixá-los nas sessões de meio de semana ou no sábado à tarde é viável. Desde 2014 o Disney Channel lançou nove filmes: “Cloud 9”, “Zapped”, “How to Build a Better Boy”, “Bad Hair Day”, “Teen Beach 2”, “Descendants”, “Invisible Sister”, “Adventures in Babysitting” e “The Swap”. Da Nickelodeon o SBT já adquiriu “Jinxed” e “Swindle”, que ainda permanecem inéditos na TV aberta do Brasil. 

3 – Acordo pontuais com outras distribuidoras

É uma tática utilizada pelo SBT desde o fim do acordo com a Warner e que teve destaque pelas parcerias com Paris Filmes e Columbia Pictures. 

Apesar da TV Globo ter adquiridos os principais títulos de ambas as companhias (dentre eles os filmes da saga “Homem-Aranha”, da Columbia, e “Jogos Vorazes”, da Paris), alguns bons títulos foram comprados pelo SBT, dentre eles: “Resident Evil 4: Recomeço” (Columbia, 2010), “Carrossel: O Filme” (Paris, 2015), “12 Horas” (Paris, 2012), e “Pânico no Lago 3” (Columbia, 2010). 

Utilizando-se da mesma estratégia, para o ano que vem o SBT teria ao menos três títulos renomados para completar o seu pacote de filmes: “Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina” (2016), “Django Livre” (2012, EUA; 2013, Brasil) e “Resident Evil 5: Retribuição” (2012). 

O primeiro caso (“Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina”) é o mais simples: o filme já pertence ao SBT (em parceria Paris Filmes, Paris Produções e Downtown Filmes) e, seguindo o que foi feito com o primeiro filme da franquia (“Carrossel: O Filme”), será exibido pelo SBT em janela de um ano de duração. 

Os dois últimos títulos citados nesse artigo resultariam dessa parceria, que já vem se estreitando, entre SBT e Columbia Pictures. Apesar de o SBT adquirir em geral reprises ou títulos dispensados pela TV Globo, bons títulos muitas vezes podem ser comprados e é justamente o caso dos dois filmes citados acima. Tanto “Django Livre”, quanto “Resident Evil 5: Retribuição” foram lançados em 2012 nos cinemas e já poderiam ter sido exibidos pela Globo. Os dois filmes não só não foram exibidos como sequer estiveram presentes nas chamadas que promovem os filmes da emissora carioca. A ida para o SBT seria um caminho natural e que já aconteceu com outros filmes da Columbia, inclusive “Resident Evil 4: Recomeço”. 

Somente com os títulos citados nessa coluna, e sem levar em consideração os títulos infantis lançados na TV a cabo, o SBT já teria doze títulos renomados que encabeçariam um belo acervo de filmes para 2017. Para efeito de comparação, em 2013, último ano da Warner no SBT, o “chamadão de filmes” foi encabeçado por quatorze títulos da gigante norte-americana, sendo completado por títulos menores que apareceram na chamada sem serem citados diretamente pelo locutor. Em 2012, o número de títulos no “chamadão” fora ainda menor: apenas doze. “Cinquenta tons de cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Jurassic World”, “Minions”, “Everest”, “A Visita”, “A Colina Escarlate”, “Ted 2” e “Steve Jobs”, “Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina”, “Django Livre” e “Resident Evil 5: Retribuição” podem dar ao SBT o melhor pacote de filmes dos últimos anos. 

Chamada “SBT Cinema 2012” 

Chamada “SBT Cinema 2013”

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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