Tribuna SBTpedia: Fantasia, Domingo Legal e Patricia Abravanel: o que acontecerá com os domingos do SBT?

Fantasia, Domingo Legal e Patricia Abravanel: O que acontecerá com os domingos do SBT?

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)

Na foto, da esquerda para direita: Gugu Liberato, Celso Portiolli, o logo do “Fantasia” e Patricia Abravanel

A demissão de Raul Gil, Dudu Camargo no “Primeiro Impacto”, a volta de “A Usurpadora”, mudanças de horário constantes no início das tardes, a ida de Celso Portiolli para os sábados à tarde. O SBT nunca esteve tão suscetível a mudanças nos últimos tempos. Neste cenário, o último item (ida de Portiolli para os sábados à tarde) é o que mais preocupa em razão do destino que pode ser dado ao “Domingo Legal”. Se hoje o programa não dá bons resultados, sua ausência pode ser pior ainda. Uma das opções ventiladas foi a ida de Patricia Abravanel para os domingos (possibilidade que ela mesmo não está segura, segundo José Armando Vannucci) e a volta do “Fantasia” (publicada inicialmente na volta de Flavio Ricco). 

A primeira faixa do domingo (11h às 15h), que é a envolvida nessas mudanças, é a pior em audiência para o SBT atualmente e abaixo listarei as possibilidades de mudanças dentro dela:
 
Fim do “Mundo Disney” aos domingos

Mesmo com um ótimo desempenho aos sábados e um desempenho razoável/bom durante a semana, os domingos da Disney são trágicos no SBT. A verdade é que a exibição da faixa aos domingos saiu pior que o esperado. Não acho que o contrato deva ser condenado, afinal traz bons resultados em outros horários e é rentável ao SBT, mas não pode englobar a faixa horária do domingo. Ao SBT e a Disney restam abrir mão do contrato aos domingos ou recompensá-lo em outro horário: domingo de 9h às 11h; aumentar a exibição de segunda à sexta; ou exibir aos sábados após o “Sábado Animado” uma nova faixa vespertina da Disney. Qualquer solução para os domingos passa por exibir um programa forte a partir das 11 horas para combater o “Domingo Show” e a saída do “Mundo Disney” desse horário é iminente. 

“Fantasia”

É a opção mais no sense de todas. Se o “Fantasia” representou um sucesso em 1997, hoje, quase vinte anos depois, seu formato não faz mais sentido. O programa de ligações via telefone para entretenimento remete a um tempo anterior à massificação da internet e a privatização da telefonia móvel no país. Não levar em considerar os avanços tecnológicos dos últimos vinte anos e dos hábitos dos brasileiros é ficar preso a um passado inexistente. E tudo isso pode ser comprovado olhando para o SBT e para a nossa concorrência. A volta do “Fantasia” em 2007 não conseguiu se sustentar, mesmo em um horário sem nenhuma concorrência (madrugadas) e hoje os caça-níqueis televisivos via telefone ficam restritos a horários vendidos em televisões menores (como Band e RedeTV). 

Patricia Abravanel

Apesar de ser “filha do dono”, é preciso ter bom senso para analisar a capacidade de apresentação de Patricia Abravanel. Nenhum programa do SBT tem uma fotografia ou figurino tão bem cuidados como o “Máquina da Fama”, com direito a um cenário bonito e multiuso e a um diretor experiente (Michael Ukstin), que é responsável por dirigir um programa com a complexidade do “Teleton” (além de ter a responsabilidade de dirigir Patricia). 

Mesmo com tudo isso a seus pés, Patricia ainda está muito longe de ser uma apresentadora de verdade. Não tem a capacidade comunicacional do rádio, carisma ou presença de palco. Fica muito presa ao teleprompter e só rende bons momentos quando entra na “piada” de ser filha do dono (o que costumeiramente acontece no “Teleton” e no “Jogo dos Pontinhos”). A realidade é que Patricia ainda engatinha em um “Máquina da Fama”, que com todo apoio do SBT e do próprio pai, fechou com 6,38 pontos em outubro, concorrendo o programa mais fraco da linha de shows da Record, o “Xuxa Meneghel”. “Cine Espetacular”, “Pra Ganhar é só Rodar”, “Tela de Sucessos” e “A Praça é Nossa” tem desempenhos melhores, mesmo enfrentando uma concorrência mais dura como “Masterchef Profissionais” e “Gugu”. 

Jogar Patricia em uma guerra dos domingos que o SBT está perdendo é suicídio para o SBT e para ela. Por bom senso, ela mesmo parece entender que o “passo é maior que a perna”. A melhor opção para Patricia é coloca-la para bater de frente com Xuxa Meneguel, adversária que ela tem bom desempenho de audiência (a vencendo na maioria dos confrontos diretos).

Manter o “Domingo Legal”

É o melhor cenário, seja com Celso Portiolli ou Gugu Liberato. O “Domingo Legal” é a maior marca dominical criada na história do SBT (levando-se em conta que o “Programa Silvio Santos” é anterior a criação da emissora) e ainda é a principal arma para a recuperação dos domingos. Acabar com o “Domingo Legal” é abrir mão de um patrimônio com 23 anos de história e que foi o responsável por dar o tom de diversas atrações vistas até hoje em diversos programas de auditório. Os quadros de reencontro entre pessoas desaparecidas, o jornalismo com uma linha popular, as pautas avulsas “bizarras” que prendem o telespectador, os musicais ao vivo, as homenagens, as mágicas no palco, os quadros de namoro, os games entre homens e mulheres, os quadros sensuais, os concursos de covers, os quadros de humor, etc. É até difícil falar o que não foi feito pelo “Domingo Legal” e pode ser visto hoje em dia tanto no “Domingo Show”, quanto na “Hora do Faro”. 

Com um bom apresentador à frente, e hoje seria Celso ou Gugu, o “Domingo Legal” deve olhar para sua própria história, ao menos, para voltar a ser o que era. O que acontece hoje é que Geraldo Luís e Rodrigo Faro fazem o que o “Domingo Legal” fez no passado, sem trazer nenhuma grande novidade ao público. 

O problema do “Domingo Legal” é a perda de identidade. O ideal é seguir uma linha e fazê-la de forma bem feita. O objetivo é ter games? Então que seja bem feito. O “Curtindo uma Viagem” tem uma série de provas que são pedidas e lembradas pelo público e poderiam retornar. O objetivo é ter assistencialismo? Então que o “Construindo um Sonho” seja mais regular e grandioso como era em 2008 e 2009. Queremos ter um quadro de namoro? Há mil formatos ótimos para Celso aproveitar: do “Azaração” (que teve uma exibição no ar) ao “The Bachelor” (formato mais tradicional dos EUA). O objetivo é ter reencontros? Uma parceria com Walter, do “Good Angels”, é fundamental. Ele é quem sempre esteve à frente desse tipo de quadro no “Domingo Legal” (“Gente que procura gente” e “Encontros”) e na “Eliana” (“Reencontro”). 

Em um programa de quatro horas de duração há espaço para tudo isso e esse é o caminho. O “Programa do Ratinho”, assim como “A Hora do Faro” e “Domingo Show”, recuperou sua grande fase, fazendo um “feijão com arroz” bem feito, sem inventar, mas também sem perder a sua identidade. O “Domingo Legal” deve seguir o mesmo caminho. A guerra dos domingos ainda não está perdida.

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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