Tribuna SBTpedia: 2016 - Passando a Limpo: Parte 2 - Fofocando e a 'bagunça' no início das tardes, por Gabriel Reis

2016 - Passando a Limpo: Parte 2 - Fofocando e a “bagunça” no início das tardes

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)


2016 foi um ano de muitas emoções para o SBT e para os SBTistas. Na última semana listamos os maiores acertos da emissora do ano. Nesta coluna vou abordar aquela que foi uma das medidas que causou uma maior “bagunça” na grade do SBT nos últimos anos: a estreia do “Fofocando” e todas as suas consequências.

Incomodado pelo sucesso da “Hora da Venenosa” no “Balanço Geral”, Silvio Santos tirou da cartola o “Fofocando”, programa de fofocas apresentado (inicialmente) por Leão Lobo, Mama Bruschetta e pelo “Homem do Saco”.

A aposta por si só já soava estranha. O gênero de fofoca, se estava indo bem na Record, decaiu muito nos últimos anos. O SBT teve uma péssima experiência na mesma faixa com o “Programa Cor-de-Rosa”; “O Melhor da Tarde”, da Band, traçava com constância; e até Sônia Abrão, atualmente, tem uma audiência boa apenas para os padrões da RedeTV (nunca passa de 2 pontos de média).

Silvio buscou nomes conhecidos do público para a apresentação do programa (Leão Lobo e Mama Bruschetta), mas a audiência não veio e o desespero só piorou as coisas. Em pouco tempo no ar o “Fofocando” mudou diversas vezes de horário e duração, impactando o restante da grade: o “Casos de Família” teve seu horário modificado e sua audiência prejudicada e a novela “A Usurpadora” foi “desengavetada”, mas não surtiu os efeitos esperados e também já mudou de horário. Com o tempo, o programa também foi se tornando mais apelativo, “forçador” de polêmicas desnecessárias, e teve, dentre suas modificações nesse sentido, a inclusão de Mara Maravilha.

No entanto, o principal problema do “Fofocando” foi a sua concepção inicial: apostar em um mesmo gênero contra a Record em um horário em que a própria derrota a Globo é uma decisão longe de ser inteligente, ainda mais esperando um resultado “estratosférico” em audiência.

Observando a curva de audiência da manhã e início de tarde, a audiência do SBT é alta e constante com o “Bom Dia e e Cia.” e a emissora sempre obteve bons resultados com desenhos e seriados infanto-juvenis fazendo a “passagem de bastão” para as novelas da tarde. Por lá já foram exibidos com sucesso: “Festolândia”, “Tom e Jerry”, “Chaves”, “Eu, a Patroa e as Crianças”, “Alf, o ETmoiso”, “Três é Demais”, “Um Maluco no Pedaço”, “As Visões da Raven”, “Cory na Casa Branca”, “Chapolin”, dentre outros.

A volta dessas atrações ajudaria a manter o bom público do “Bom Dia e Cia.” e a garantir uma maior estabilidade na grade de programação. Se o SBT perdeu os direitos de exibição de alguns desses produtos, vale lembrar que ninguém ainda os adquiriu (logo, estão disponíveis no mercado) e que o acervo do SBT ainda possui algumas “jóias”, como: “Chaves”, “Chapolin”, “Kenan e Kel”, “Chaves em Desenho Animado”, “Carrossel em Desenho Animado”, “Os Pinguins de Madagascar”, “Bob Esponja”, “Kung Fu Panda” e mais de uma dezena de seriados e desenhos da Nickelodeon (que foram listados nessa matéria do “SBTpedia”). 

Parece-me estranho a emissora abrir mão de um gênero que faz tanto sucesso em sua grade para apostar em um fracasso anunciado. A solução para o horário do “Fofocando” está na própria história do SBT e em seu principal público no momento: o público infantojuvenil.

Na próxima semana seguiremos passando a limpo o ano de 2016. Abordaremos, dentre outros assuntos, o fim do “Domingo Legal” e o as mudanças no “Primeiro Impacto”.

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

# Parceiros


#Facebook: SBTpedia

#Twitter