Tribuna SBTpedia: 2016 – Passando a Limpo: Parte 3 - Domingo Legal, Primeiro Impacto e investimentos

2016 - Passando a Limpo: Parte 3 - Domingo Legal, Primeiro Impacto e investimentos

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)


2016 foi um ano de muitas emoções para o SBT e para os SBTistas. Nas últimas duas semanas listamos os maiores acertos da emissora do ano e falamos do “Fofocando”. Nesta coluna termino de “passar a limpo” o ano de 2016. 

Fim do “Domingo Legal” e a perda de força dos domingos

2016 certamente foi o pior ano dominical da história da emissora. De 11 da manhã à meia-noite, o SBT só não perde para a Record nas quatro horas finais. O “Roda a Roda” Jequiti” e o “Sorteio da Tele-Sena” sobrevivem pela alta importância comercial e não podem ser retirados do ar, no entanto, porque são programados para a difícil faixa das 19 horas, onde Rodrigo Faro está em seu melhor momento? Os programas comerciais poderiam ser exibidos recebendo de uma audiência melhor ao final do “Programa Silvio Santos” ou sendo intercalados com atrações mais fortes do “PSS”. 

“Eliana”, apesar de aparentar ter grandes investimentos, não fez sombra a Rodrigo Faro neste ano. Foram 52 confrontos, com 48 vitórias de “A Hora do Faro”. Como já foi falado aqui, é preciso de um direcionamento melhor para a “Eliana” na guerra dos domingos. Não é mais possível investir em quadros que caberiam em matinais femininos como “Sueli na sua Casa” ou “Guerra das Tesouras”, achando que esses segurarão o ímpeto de audiência de seu principal concorrente. A aquisição de “The story of my life” é um bom caminho, mas formatos mais fortes são necessários. Por que não uma volta de “Super Nanny” às tardes de domingo? Se marcar um pouco mais da metade dos 17 de média que chegou a atingir na primeira temporada já é bastante no cenário atual. 

E chegamos ao pior cenário possível: o fim do “Domingo Legal”. Maior marca dominical criada pelo SBT, ao invés de se optar pela volta de sua exibição às 11 da manhã, pela retomada de sucessos e investimento em novos quadros, seu fim foi decretado. Muito já se falou nessa coluna sobre o “DL” e José Eustáquio, editor-chefe do “SBTpedia”, também escreveu sobre o assunto. Para resumir e finalizar, retomo aqui dois trechos: 

“O problema do ´Domingo Legal´ é a perda de identidade. O ideal é seguir uma linha e fazê-la de forma bem feita. O objetivo é ter games? Então que seja bem feito. O ´Curtindo uma Viagem´ tem uma série de provas que são pedidas e lembradas pelo público e poderiam retornar. O objetivo é ter assistencialismo? Então que o “Construindo um Sonho” seja mais regular e grandioso como era em 2008 e 2009. Queremos ter um quadro de namoro? Há mil formatos ótimos para Celso aproveitar: do ´Azaração´ (que teve uma exibição no ar) ao ´The Bachelor´ (formato mais tradicional dos EUA). O objetivo é ter reencontros? Uma parceria com Walter, do ´Good Angels´, é fundamental. Ele é quem sempre esteve à frente desse tipo de quadro no ´Domingo Legal´ (´Gente que procura gente´ e ´Encontros´) e na ´Eliana´ (´Reencontro´)” (Gabriel Reis, na coluna “Tribuna SBTpedia”, em 28/11/2016

“Por tudo o que o Domingo Legal representa, por toda a sua história, por que já ofereceu ao SBT no passado com bons resultados (inclusive com o Celso no comando), ele merecia nova chance de buscar uma alternativa de relançamento ou se reinventar, ainda que fosse com outro apresentador, outra equipe, recomeçando do zero. Não é possível que não haja essa capacidade. O Domingão do Faustão, que sofria sucessivas derrotas acachapantes para o Domingo Legal em 2000, lutou muito até conseguir um formato capaz de barrar o concorrente, só vindo a estabilizar pra valer na liderança em 2003. Apostou-se na marca, em uma equipe criativa, ao invés de chutar o pau da barraca (como a Globo fazia muito nos anos 80 quando não conseguia vencer Silvio Santos). (...) Como telespectador, eu só posso lamentar. Não tenho poder de decisão e muito menos influência sobre Silvio Santos. Lamento muito que uma marca da casa seja simplesmente descartada. Lamento que o SBT esteja tomando mais um rumo perigoso em sua história. De programas ´vai que cola´ e de planejamentos ´tabajara´. Nasci em 1989 e cresci assistindo o Domingo Legal semanalmente. Quantos almoços, quantas tardes e noites juntas... Quantos quadros e brincadeiras marcantes. Quantas histórias. O veto à Banheira, o baque do PCC, a mudança de apresentador. Suportamos tantas coisas para nada?” (José Eustáquio, na coluna “Opinião SBTpedia”, em 08/12/2016)

“Primeiro Impacto” e a bagunça nas manhãs

Quem acompanhou toda a história da criação do “Primeiro Impacto” e todo o seu desdobramento, não tem como não pensar em uma palavra: bagunça. A começar pela ida e volta de diversos telejornais pela manhã (até chegarmos ao “Primeiro Impacto”), as mudanças na duração do jornal, a troca de seus apresentadores e por agora apresentar dois jornais totalmente distintos dentro de um mesmo telejornal. Todas essas mudanças passam tudo aos telespectadores, menos identidade, confiança e credibilidade. Quando se investe em jornalismo, em especial em uma emissora com pouca tradição na área, é preciso ter muita paciência para “colher os frutos” mais frente. E essa paciência é tudo o que não é visto nessa faixa horária do SBT. 

Analisando a própria história de produtos jornalísticos, hoje consagrados na televisão brasileira, isso fica claro. O “Jornal Nacional”, hoje segunda maior audiência da TV no Brasil, estreou como um pequeno noticiário de 15 minutos exibido às 19h45. Somente após se consolidar, o jornalístico se tornou o que é hoje. O “Domingo Espetacular”, quando estreou em abril de 2004, passou dois anos marcando apenas 6 pontos de média e perdendo sistematicamente para o “Pânico na TV”. Hoje, o cenário é outro: o dominical aumentou sua duração, partiu para o confronto direto com o “Fantástico” e chega a 12 pontos de média. Em compensação vê o “Pânico na Band” ter dificuldade para passar dos 5 pontos, Silvio Santos (que em 2004 ficava entre 15 e 18 pontos) marcar 11 de média, e o “Fantástico” (que antes marcava entre 30 e 35 pontos) não consegue passar de 20 pontos. Esses dois casos mostram que só se formam grandes produtos jornalísticos com o tempo.


Pode parecer mentira, mas Dudu Camargo dançando no estúdio e Karyn e Joyce na bancada compõem um mesmo produto jornalístico. Qual é a identidade do “Primeiro Impacto”?

Ausência de grandes investimentos


O último ponto é mais genérico, mas não menos incômodo. Ao longo de sua história, o SBT sempre se notabilizou por grandes estreias, pacotes de investimento e campanhas promocionais que envolveram o público, no entanto, hoje noto que aos poucos isso foi se perdendo. As estreias de programas, com exceção das novelas infantis, são feitas sem o menor alarde e em momentos distintos ao longo do ano; não há um vertical de programação há anos; o vertical de cinema não foi ao ar em 2014 e 2016; Silvio Santos não tem um grande formato solo (fora da Jequiti e “PSS”) desde 2012; e as mudanças nos reality shows ficam restritas aos sábados em faixas horárias “escondidas” para o grande público (antes do “SBT Brasil”, quando não é exibida para alguns estados, e às 21h30, batendo de frente com a “novela das 8”).

A ausência de grandes investimentos leva a programação ao marasmo. Parece que é normal ver um “PSS” sem grandes investimentos passar aperto para vencer a Record ou ficar o ano todo assistindo os mesmos filmes em nossas sessões de cinema. Uma hora a conta acaba chegando, não adianta viver somente de marcas ou tradição, o estado lamentável que o “Domingo Legal” chegou é a maior prova disso.

E para vocês, como foi o ano de 2016 no SBT?

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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