Opinião SBTpedia: Domingo Legal pode ficar. Mas o que fazer?, por José Eustáquio Júnior

Domingo Legal pode ficar. Mas o que fazer?

Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

 
Hoje é 31 de janeiro de 2017. Até a presente data não há uma confirmação efetiva de como vai ficar a grade dominical do SBT a partir de março. Atualmente com reprises, o Domingo Legal iria sair do ar ao final de fevereiro, mas os planos mudaram após a renovação de Raul Gil. Com isso, o projeto do Super Sábado (atração de Celso Portiolli aos sábados) foi abortado. Em tese, Sabadão e Domingo Legal continuam no ar, tal como estão atualmente. Mas nas últimas horas saiu a possibilidade que Ratinho pudesse ser uma cartada para a grade dominical.

Como dá para perceber, uma verdadeira bagunça. Há um mês praticamente da grade que, teoricamente, valerá para o restante do ano, não se sabe como será a configuração dos domingos do SBT. Eliana não pode cravar o que vai antecedê-la. Celso volta ou não para um projeto que esteve por um fio de sair do ar (estaria motivado?).

Obviamente seria um acerto a manutenção da marca Domingo Legal, há 24 anos no ar no SBT. Pela sua história, merecia uma nova chance. Porém, muito precisa ser feito para recuperar o programa. A partir de agora passo a enumerar alguns pontos importantes sobre o Domingo Legal, caso venha mesmo a permanecer na grade a partir de março:

Programa com grande estrutura – O Domingo Legal sempre foi um dos programas de maior estrutura e produção do SBT em sua fase com Gugu Liberato, especialmente. Na sua última fase com o antigo apresentador, o programa chegou a ter a bagatela de ter 6 diretores: Homero Salles (diretor-geral), Dirlan Jorge (diretor assistente), Igor Petrauskas (Lendas Urbanas) e ainda Valter Leite, Walter Wanderley (Goiabinha) e Flávio Tito, os três últimos que em sua última fase na atração se revezaram no Construindo um Sonho, entre reformas de estabelecimentos comerciais, casas e apartamentos. Isso para não falar de Silvana Kieling (repórter exclusiva), Wagner Maffezzoli e vários outros profissionais. Dos citados, muitos funcionários históricos da atração, todos saíram do SBT. Uns foram com Gugu pra Record, outros foram saindo peça por peça do Domingo Legal com Celso. Por isso é importante que o programa ganhe um reforço na equipe para ter mais ideias, mais criatividade para bolar quadros e pautas.

Relançamento / marketing - Antes de tudo o Domingo Legal precisa mostrar ao público que não é o mesmo. Ou que é o mesmo, mas aquele programa que todo mundo curtia assistir um dia. Como não é um novo programa, a tarefa dificulta um pouco para vender o peixe. Por outro lado, é uma marca de enorme tradição, que por si seria capaz de chamar muito atenção em uma campanha de relançamento. A importância do desempenho do Domingo Legal reflete em toda a grade dominical e pode ajudar Eliana a se consolidar também nessa nova temporada. Então deveria merecer atenção prioritária com chamadas na programação, campanhas publicitárias em jornais e outdoors e até ações inovadoras, quem sabe pelas ruas ou parques de São Paulo aos domingos.


Entender o perfil histórico do programa e do apresentador – O Domingo Legal, historicamente, sempre foi um programa voltado para entretenimento. Até mesmo quando conseguiu alta audiência com Gugu usando uma sequência de externas de quadros emotivos, seu público sempre era crítico, já que o estilo original da atração havia sido abandonado. O fato de ser de entretenimento não implica em falta de emoção. Uma pauta de entretenimento pode conter emoção. Cito, por exemplo, um Loucuras de Amor clássico de Pedro e Thiago no Dia dos Pais surpreendendo o cantor Leonardo. Clássico caso de entretenimento combinado com emoção. E a premissa também é verdadeira para o apresentador, que moldou sua carreira nesse estilo de programa e não tem porquê abandonar ou arriscar trocar seu perfil em um momento delicado. E também não vale competir com a Record usando das mesmas armas (espero que isso tenha sido aprendido em 2016).

Mais tempo no ar para desenvolver programa – o ideal para o Domingo Legal é que ele tivesse, ao menos, 3 horas no ar (13 às 16 horas, por exemplo). Sairiam todos felizes, inclusive a Eliana, que certamente receberia com audiência mais alta e fora do confronto com Geraldo Luís. Mais tempo no ar, também, prestaria relevantes serviços ao programa para poder desenvolver as pautas com mais tranquilidade e também minimizar o efeito do Mundo Disney, que, infelizmente, foi lançado de qualquer jeito aos domingos, sem prévio ajuste de programação do que seria levado ao ar ou estratégia sobre horários e deu no que deu.


Mais tempo e também mais quadros – É óbvio que um programa ao vivo tem determinadas pautas que podem ser esticadas em virtude da audiência. Natural e absolutamente compreensível. O que não pode é o programa ficar refém de 1, 2 quadros o programa inteiro. Além da falta de variedade - os programas de auditório estão cada vez mais arrastados pelos quadros excessivamente longos - foge também de uma característica marcante da história do Domingo Legal, que sempre foi o dinamismo. Às vezes, quadros aconteciam simultaneamente. No palco um musical, lá fora no estacionamento uma prova... Por isso sou defensor daquele Domingo Legal raiz que combinava várias externas curtas (cito como exemplo o Trocando as Bolas/As Aventuras de David e Maira que duravam cerca de 15 a 20 minutos) e muito palco. A atual situação do Domingo Legal chegou a um ponto tão crítico que em 2016 o único quadro lançado (“O Preço da Verdade”) ficou uma edição no ar e foi arrastado durante quase toda a edição do programa (com direito a entrevista de Kéfera no meio dele). Isso sem contar na volta do Eles x Elas que na verdade voltou sem nome (“Quadro sem Nome”), coisa cada vez mais comum nas atrações de Celso Portiolli no SBT.



Pautas avulsas é a cara do Domingo Legal – além dos quadros de entretenimento que marcaram a atração, uma coisa que o programa sempre se destacou é aquilo que chamo de “pautas avulsas”. Pra mim um das marcas maiores do sucesso histórico do Domingo Legal. A capacidade da atração trazer assuntos atuais à tona, temas que tomaram conta da mídia durante a semana. Lembro de casos emblemáticos, como o do Chupa-Cabra, do vulto do cantor João Paulo e do sapo que latia nos anos 90, da presença de Marcelinho Carioca emocionado no palco em 2001 ou da imagem da santa na janela em 2002. Quem não se recorda do primeiro encontro do Rouge com o Br’oz em 2003? Ou quem se lembra do sucesso do “Menino de Rua” (Pepe Moreno) no Domingo Legal em 2008? São essas pautas, tratadas de forma popular e criativa (e com responsabilidade para que não fiquem apelativas) que dão o frescor a um programa de auditório para não ficar repetitivo quanto a quadros. Eventualmente, até um tema que poderia ser uma pauta avulsa pode se inserir dentro de um quadro: por exemplo um Sentindo na Pele com o prefeito de São Paulo João Dória (que vem realizando várias tarefas desse tipo). Seria um grande efeito midiático e de enorme repercussão.


Meu gosto pessoal não importa – uma coisa que aprendi de cara quando entrei no universo da Internet e discussões sobre TV: meu gosto pessoal não importa. E também não importa o gosto pessoal do diretor nem do apresentador. Vale o que é bom para o programa. Então, fica a dica: ninguém quer saber dos amiguinhos youtubers. Ninguém conhece eles. “Ah, mas eles têm 55 trilhões de inscritos”. É um universo totalmente fora de contato com a TV. Pode fazer o tiozão feliz na Internet, mas pra TV não funciona. Sinto informar. E vou contar mais um segredinho: 99% das pessoas que assistem TV aberta com frequência vão no YouTube não é para ver o canalzinho lacrador. Vão para ver (se perdeu) ou rever (se já viu) o que passou na televisão. Não é à toa que o SBT emplacou no YouTube em 2016 vários dos vídeos mais acessados do ano no Brasil.

Tratado como vilão com a mudança de direção pelo excesso que foi utilizado, o Passa ou Repassa pode tranquilamente continuar no ar, se usado moderadamente

Sangue nos olhos – Por fim, sugiro a todos sangue nos olhos para lutar bastante pelo programa. Historicamente trabalhar nos domingos do SBT sempre foi um sonho para a grande maioria dos profissionais de televisão. Façam de tudo (dentro dos limites da decência e da ética) que tiveram ao alcance de vocês para segurar o Domingo Legal no ar. Lutem por pautas, quebrem cabeça pela formulação de quadros, convidados, matérias, musicais.

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