Tribuna SBTpedia: O sucesso do Big Brother e o desgaste de formatos no SBT, por Gabriel Reis

O sucesso do Big Brother e o desgaste de formatos no SBT

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)

Hoje, 23 de janeiro, a TV Globo estreia a décima sétima edição do “Big Brother Brasil”. O “BBB” é, sem dúvida, um dos maiores exemplos de sucesso da TV brasileira. Ganhou espaço diário na programação global (algo que nem as novelas conseguem), é uma das maiores audiências da casa até hoje e uma “máquina” de fazer dinheiro (aumentando o faturamento, mesmo com audiência em queda. Esse ano já há quatro cotas fechadas antes mesmo da estreia: Guaraná Antártica, Claro, Magazine Luiza e Itaipava). Além disso tudo, tem o grande “X” da questão: está na décima sétima edição. A Globo conseguiu manter o sucesso do programa a longo prazo, algo que o SBT sempre falhou com seus sucessos. Ao invés de pensar em mantê-los a longo prazo, os esgota aumentando sua duração, trocando horários ou emendando temporadas. Abaixo vamos listar quatro atrações em que isso ocorreu:

1 – “Casa dos Artistas”



O mega sucesso de 55 pontos no IBOPE (em seu auge) ganhou mais duas temporadas sequenciais que viram seu IBOPE ser reduzido a pó. Se na primeira temporada o programa venceu o “Fantástico” em todos os seus confrontos diretos, na segunda temporada isso aconteceu duas vezes (na estreia e na final) e na terceira temporada apenas a finalíssima liderou no IBOPE. O SBT ainda utilizou o título para dar força ao formato “Protagonistas de Novela”. O fracasso foi maior ainda: o recorde de audiência do programa ficou em 18 pontos de média, com 23 de pico, muito abaixo da “Casa” original.

2 – “Show do Milhão”





Talvez seja o processo de desgaste mais claro. O programa, referência em game shows no Brasil, liderou a audiência diversas vezes chegando a 25 pontos de média, mesmo em confronto direto com o “Fantástico”. O game show, inicialmente chamado de “Jogo do Milhão”, estreou em 1999 e inicialmente duraria 21 dias, mas foi esticado a exaustão, indo ar até outubro de 2003, vendo sua audiência cair a menos da metade em algumas exibições. A retomada em 2009 trouxe um programa ainda mais lento (o número de perguntas aumentou de 16 para 24), oferecendo prêmios menores e com participantes com um nível pior. Um formato vencedor se tornou em um fracasso com o tempo.

3 – “Topa ou Não Topa” 



Pessoalmente considero o maior game show apresentado por Silvio Santos na era pós-Show do Milhão (sem levar em consideração releituras de formatos antigos como o “Qual é a Música”). Também foi o que deu maior audiência nessa época, chegando a 17 pontos de média e 20 de pico. O programa, como grande parte dos formatos americanos, inicialmente ficou limitado a uma primeira leva de episódios, que iriam de agosto até o final de dezembro de 2006. Erroneamente e enganado pelo sucesso do programa (que também foi muito bem nas quartas e nos domingos à noite) o SBT resolveu reprisar a primeira temporada (logo após o término da mesma) e ainda transferir o programa para o estranho horário das tardes de domingo, sem levar em conta sua cenografia, iluminação e figurino, todos feitos para o período noturno. Mais uma vez a audiência caiu pela metade e o formato nunca mais voltou ao ar no SBT.

4 – “Supernanny”



Lançado como uma das principais apostas das bodas de prata do SBT, o reality show estreou aos sábados à noite, mas logo demonstrou que seu melhor dia de exibição era aos domingos. A audiência chegava a ser o dobro do dia anterior, batendo 17 pontos de média (algo que nem Gugu Liberato conseguia na época). Estranhamente, o SBT optou por fixar o programa em seu pior dia de exibição (sábado) e a emendar reprises e temporadas. Hoje é reprisado aos sábados como “tapa-buraco” antes do “SBT Brasil”, o que só demonstra a falta de cuidado do SBT com o formato.

Apesar de alguns formatos serem exibidos em temporadas como o “Hell´s Kitchen” ainda é claro esse desgaste com produtos no SBT. “Esquadrão da Moda” é exibido desde 2009, com direito a apenas um ano de descanso e tendo trocado de horário diversas vezes. Com os filmes, a história se repete. Nesta semana teremos “O Máskara” e “A Filha do Pastor”, filmes exibidos a exaustão pela emissora e que foram exibidos recentemente, no mês de outubro de 2016.

Fica claro a imensa diferença de tratamento da Globo com o “Big Brother” e seus produtos para o SBT, e também para outras emissoras, com os seus (como é o caso da Band com o “Masterchef”, por exemplo). A impressão que fica é que quando se acha um sucesso ele deve ser sugado ao máximo rapidamente e não mantido a longo prazo. Infelizmente esse cenário ainda é visto no SBT, fica a esperança por mudanças. 

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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