Tribuna SBTpedia: Pedidos para 2017, por Gabriel Reis

Pedidos para 2017

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)

 
O final do ano foi movimentado no SBT: Dudu Camargo estreou como apresentador no “Primeiro Impacto”; Silvio Santos lançou o “Fofocando” tentando vencer “A Hora da Venenosa”; Raul Gil anunciou sua saída do SBT; “A Usurpadora” foi “desenterrada” em uma tentativa frustrada de ganho rápido de audiência; o “Domingo Legal” chegou ao fim; e, por último, foi anunciada a unificação dos telejornais das madrugadas e manhãs (sob o nome “SBT Notícias”), o “Fofocando” ficou menor e vai ser exibido mais cedo (às 8 da manhã) e o “Clube do Chaves” voltou ao ar hoje às 13h45.

Foram inúmeras mudanças que acabaram por criar uma grade instável e imprevisível em muitos horários e baseado nessas necessidades que faço os meus pedidos para 2017. 

1 – Séries e desenhos infantojuvenis após o “Bom Dia e Cia”

O primeiro pedido acabou sendo atendido antes mesmo da coluna ir ao ar. Após inúmeras mudanças no “Fofocando” e no início das tardes do SBT, Silvio Santos e a direção da casa parecem ter olhado para sua própria história e para sua própria grade: a partir de hoje, o “Clube do Chaves” passará a ocupar a faixa das 13h45. A mudança tem tudo para dar certo: a atração receberá com uma boa audiência do “Bom Dia e Cia.” e com um público, em tese, do mesmo segmento; a aposta em uma marca forte e de sucesso como “Chaves”; a recuperação de uma faixa que sempre deu certo historicamente exibindo atrações do gênero como “Um Maluco no Pedaço”, “Eu, a Patroa e as Crianças” e o próprio “Chaves”. Boa sorte ao menino do barril e a todos os personagens de Bolaños! 

2 – Renascimento dos domingos

O fim do “Domingo Legal”, as 47 derrotas de “Eliana” para Rodrigo Faro (em 51 confrontos em 2016) e formatos internacionais como “Bomba!” e “Levanta-te” sendo desperdiçados como quadros simples no “Programa Silvio Santos”. O cenário dos domingos é assustador e seu renascimento é o meu maior pedido para 2017. 

O “Mundo Disney” tem que ser exibido mais cedo ou compensando em outro dia da semana. “Eliana” precisa ter quadros fortes e universais, e não segmentados. Menos “Sueli na sua Casa” e “Guerra das Tesouras” e mais “Reencontro” e “Rede da Fama”. E por que não “Supernanny” de volta ao seu melhor horário? Silvio Santos precisa voltar a ter um programa grandioso, bem promovido, com prêmios “gordos”, cenografia original e que cative o público. Comprar formatos internacionais para, de fato, não produzi-los é desperdício de dinheiro. 

Por último, o SBT precisa de um concorrente que, ao menos, não faça “feio” diante do “Domingo Show”. Se não for o “Domingo Legal” que o menos se aposte em programas fortes que já fizeram sucesso no horário como o “Curtindo uma Viagem”, o “Qual é a Música” ou o reality “Supernanny”. Outros formatos fortes também são bem vindos, por que não o “Family Feud”? A Globo, no mesmo horário, apostou na mesma temática com o “Tamanho Família” e obteve grande sucesso. O domingo precisa voltar a ser “nosso”. 

3 – Acordo com a Universal Pictures

A Band está ficando um pacote de filmes similar ao do SBT. A Band está ficando um pacote de filmes similar ao do SBT. De novo: a Band está ficando um pacote de filmes similar ao do SBT. Sim, o inacreditável aconteceu. A Band, sem a menor tradição ou grandes investimentos no setor, está caminhando para ficar com um pacote similar ao do SBT em um segmento antes dominado pelo canal da Anhanguera. Nos últimos meses, o canal do Morumbi adquiriu e/ou exibiu: “Eu, Robô”, “Jurassic Park 3”, “Missão Impossível”, e mais recentemente, “Shrek” (filme de maior audiência da TV brasileira em 2004, com 50 pontos) e “Se eu fosse você” (filme de maior audiência da TV brasileira em 2009, com 32 pontos). 

Hoje o pacote do SBT é composto de reprises, em sua maioria da Warner e da Columbia e por poucos filmes inéditos exibidos “a conta gotas” ao longo do ano. Em 2016 sequer tivemos um vertical de cinema, coisa que a Band, apesar de só possuir reprises, optou por fazer para esse início de 2017. 


Chamada da Band com os filmes que serão exibidos no início do ano. No SBT não houve nenhum vertical de filmes em 2016 (nem o vertical anual, nem algum específico para alguma época do ano). 

A política do SBT parece manter um patamar mínimo de audiência no “Cine Espetacular” e “Tela de Sucessos” apostando que pela menor concorrência no horário e pela tradição do SBT não se vá conseguir índices inferiores a 7 pontos nas sessões de cinema, assim como dificilmente algum filme chegará aos 10 pontos (sem investimentos). A posição é confortável (negativamente) e acostuma o telespectador com uma fábrica de reprises, além de limitar o potencial de audiência das sessões de cinema. 

O pior é ver que, sem fazer nenhum alarde, nas poucas vezes em que investiu para exibir bons filmes, os índices se mexeram positivamente: “Carrossel: O Filme” deu 12.3 de média, com 14 de pico (na 1ª exibição); “Barbie e suas Irmãs em uma Busca dos Cachorrinhos" marcou 9.2, com 14 de pico; e “Tammy: Fora de Controle” marcou 9.6 de média, com 13 de pico. 

A Globo, que manteve os índices no setor, viu em 2016 uma recuperação nos índices de audiência. Em 2014, a “Tela Quente”, principal sessão de filmes da emissora, fechou com 16 de média. Em 2015 o índice pulou para 17 pontos. Em julho desse ano conseguiu chegar a 19, para em dezembro chegar a incríveis 24 pontos de média, um aumento de 50% em relação à média anual de 2014. 

Por todas essas razões, o SBT precisa voltar urgentemente a fortalecer o seu pacote de filmes. A Record, por sua vez, não anunciou sua renovação com a Universal Pictures (como em ocasiões anteriores), o que aumenta as chances da “gigante” norte-americana estar disponível no mercado.
 
4 – Segundo horário de novelas

Desde 2012, todas as novas novelas infantis lançadas são, sem exceção, a maior audiência do SBT durante suas exibições (só disputando, eventualmente, com o “Programa Silvio Santos”). “Carrossel”, “Chiquititas”, “Cúmplices de um Resgaste” e “Carinha de Anjo” representam uma sequência de sucessos cada vez mais rara de se ver em novelas atualmente. Essa sequência de sucessos é tão rara que das últimas dez “novelas das 8” exibidas pela Globo, cinco obtiveram média geral acima de 30 pontos (“Fina Estampa”, “Avenida Brasil”, “Império”, “Amor à Vida” e “Salve Jorge”) e outras cinco (“Em Família”, “Babilônia”, “A Regra do Jogo”, “Velho Chico” e “A Lei do Amor”) ficaram abaixo dessa marca, com o destaque negativo de que as cinco que não atingiram esse patamar mínimo de audiência estão entre as seis últimas telenovelas exibidas na faixa. 

Pode até soar estranho para uma emissora que se notabilizou pela importação de novelas mexicanas, mas a teledramaturgia nacional hoje é a “menina dos olhos da casa”, obtendo sucesso até em parcerias como a feita com a Mixer e com a FOX em “A Garota da Moto”. 

Hoje, no SBT, investir em teledramaturgia nacional é investir em sucesso e novas novelas seriam a solução para a manutenção da faixa das 21h30 a longo prazo e de um aumento na audiência na faixa anterior à exibição do “SBT Brasil”. 

5 – Estabilidade na grade, em especial, nos produtos jornalísticos exibidos de manhã

As constantes mudanças de grade citadas no início deste artigo não levaram a nenhum ganho de audiência. Mudanças desesperadas só levam a desprestígio e fuga de público e anunciantes. O SBT é ótimo nas estratégias de guerrilha de audiência, mas não pode confundi-las com uma ausência total de grade ou planejamento. O início das tardes (que eu espero ser estabilizado com o “Clube do Chaves”) e o início das manhãs (marcados pela constante “indefinição jornalística”) são os maiores problemas. Sobre o investimento em jornalismo no início das manhãs, repito aqui o que disse em minha última coluna: 

“Quando se investe em jornalismo, em especial em uma emissora com pouca tradição na área, é preciso ter muita paciência para ´colher os frutos´ mais a frente. E essa paciência é tudo o que não é visto nessa faixa horária do SBT. Analisando a própria história de produtos jornalísticos, hoje consagrados na televisão brasileira, isso fica claro. O ´Jornal Nacional´, hoje segunda maior audiência da TV no Brasil, estreou como um pequeno noticiário de 15 minutos exibido às 19h45. Somente após se consolidar, o jornalístico se tornou o que é hoje. O ´Domingo Espetacular´, quando estreou em abril de 2004, passou dois anos marcando apenas 6 pontos de média e perdendo sistematicamente para o ´Pânico na TV´. Hoje, o cenário é outro: o dominical aumentou sua duração, partiu para o confronto direto com o “Fantástico” e chega a 12 pontos de média. Em compensação vê o ´Pânico na Band´ ter dificuldade para passar dos 5 pontos, Silvio Santos (que em 2004 ficava entre 15 e 18 pontos) marcar 11 de média, e o ´Fantástico´ (que antes marcava entre 30 e 35 pontos) não consegue passar de 20 pontos. Esses dois casos mostram que só se formam grandes produtos jornalísticos com o tempo.” (Gabriel Reis, na coluna “Tribuna SBTpedia”, em 26/12/16)

E quais são os seus pedidos para o SBT em 2017? Deixe-os em nossa caixa de comentários!

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pelo SporTV, como coordenador de produção, e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no SBTpedia

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