Opinião SBTpedia: Sikêra Júnior pode dar certo em rede no SBT, mas no entretenimento

Sikêra Júnior pode dar certo em rede no SBT, mas no entretenimento

Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui) 

 
Foi noticiado por Daniel Castro na tarde desta quarta-feira, 5 de abril, que Sikêra Júnior negocia sua saída da TV Ponta Verde, onde comanda o jornalístico Plantão Alagoas, programa este que já não apresentou no dia de hoje. O aviso já teria sido dado à direção da afiliada e tudo pode ser concretizado nesta quinta (6). Especula-se que seu destino seja o SBT em São Paulo (rede), onde ganharia um programa.

Vejo Sikêra na contramão das recentes apostas do SBT no jornalismo, casos de Dudu Camargo e Marcão do Povo. Primeiro porque seu retorno midiático, que virou condição essencial para ingressar no canal, é mais pelo talento de comunicação, do que por polêmicas ou tentativas – várias – de levar com louvor a vergonha alheia ao telespectador.

O primeiro ponto de uma possível chegada de Sikêra ao SBT é o seguinte: ele não deveria vir para o jornalismo e sim se arriscar no entretenimento. Isso já diminuiria em 90% a pressão sobre sua estreia na grade. Afinal, o setor virou o novo brinquedinho favorito do acionista majoritário. E, seu eventual insucesso em jornalismo, recairia em duas situações: ou viraria um mero leitor de TP de madrugada ou seria devolvido para Alagoas sem dó nem piedade.

A questão é simples: não dá para se criar um produto de jornalismo confiável enquanto Silvio Santos estiver no comando. Ele quer produtos na grade, mas não dá a menor condição deles se destacarem. Nem identidade visual própria. Nem apresentadores de nível. Nem equipe. Nem matérias inéditas. Nada. Bota no ar e tira depois de uma semana após estar perdendo para a Band.

A entrevista recente ao The Noite de Sikêra Júnior (vale muito ver abaixo) mostra alguém com enorme poder de comunicação e senso de humor, que só poderia ser explorado na plenitude em um programa de entretenimento. Esse programa poderia ter pequenos toques de jornalismo? Sim, claro. Mas longe de ser o ponto central. O pernambucano radicado em Alagoas mostra qualidade em contar histórias de maneira popular, algo até meio “aquiagoriano” de ser.


É uma lógica contrária ao que Silvio Santos tenta impor atualmente no SBT. O jornalismo não pode virar um show de entretenimento, pois perde a confiabilidade e credibilidade, especialmente quando não dosados na forma certa. Mas um produto de entretenimento que ganhe pinceladas de jornalismo agrega bastante. Foi assim com o Domingo Legal no passado, com o próprio Falando Francamente e até mesmo o Programa do Ratinho, que no passado foi responsável por várias denúncias, algumas exclusivas, como em 2002 com o caso do pediatra Eugênio Chipkevitch.

Seria irresponsável e ousado da minha parte querer comparar Sikêra ao Ratinho, por exemplo. Afinal, um pode estar chegando agora em rede nacional e o outro é um dos principais apresentadores de auditório da história do SBT. Mas é possível enxergar similaridades na trajetória e estilo de ambos. Os dois surgiram para o grande público no jornalismo policial (primeiro no rádio, repórter de TV, depois apresentador), possuem estilo debochado e bom humor para lidar com as pautas e ainda facilidade de se tornar entendível ao público do assunto mais sério e denso até o mais engraçado possível. Não é difícil imaginar Sikêra comandando um quadro de calouros escrachado, zoando convidados e dançando e brincando com os mesmos. Fazendo denúncias e cobrando autoridades.

Obviamente, questões devem ser consideradas: dificuldades comerciais para um nome novo que veio do jornalismo policial de uma afiliada e saber diferenciar que sucesso em Alagoas ou viral na Internet não é garantia de sucesso em nada em rede nacional ou em São Paulo. Tudo deve ser feito com calma e planejamento (pedido impossível?). Em que horário se encaixaria um Sikêra no SBT? Seria algo diário ou semanal? Colocá-lo para bater de frente com programas policiais seria um acerto ou um erro apostando em entretenimento?

São muitas dúvidas sempre. Mas uma coisa me parece certa: Sikêra pode ser muito mais que um torcedor para maconheiros durarem no máximo até o Natal ou cantor do hit “Ele Queima”. Com um bom diretor e um projeto de entretenimento, ele teria condições de surpreender. Me parece claro que ele tem dois requisitos universais para se dar bem na emissora: carisma e ser popular.

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