Entrevista SBTpedia: Leonor Corrêa, jornalista, diretora e autora de 'Carinha de Anjo', no SBT

 Foto: Leonardo Nones/SBT

Por José Eustáquio Júnior (@juniorpitangui) e Pedro Nascimento (@pedromnasciment)

O SBTpedia retoma a partir desta segunda-feira, dia 29 de janeiro, sua tradição de sempre entrevistar personalidades que marcam ou marcaram a trajetória do SBT. Para retomar o projeto, nada melhor que uma velha conhecida da casa, Leonor Corrêa, que já nos deu o prazer de entrevistá-la em 2013 (leia aqui) e agora fala sobre a experiência inédita de escrever novelas, a reta final de Carinha de Anjo e conta com exclusividade que vai estar em "Z4", novo projeto da emissora, em parceria com a Formata e a Disney. Confira na íntegra:

SBTpedia: Além de você estrear como autora de novelas, uma equipe de colaboradores também estreou junto com você na área no SBT. Como foi formada essa equipe e como foi o relacionamento durante a trama?
Leonor Corrêa: Tive toda a liberdade pra montar a equipe de colaboradores, profissionais experientes, jovens e todos envolvidos com o projeto. André Rodrigues, Marina Pedral, Flávio Queiroz e Natalia Piserni. Foram 2 anos intensos de trabalho, respeito e muita alegria por fazer Carinha de Anjo.

SBTpedia: Uma de suas personagens criadas para a versão nacional de “Carinha de Anjo” foi a Juju Almeida, de Maisa Silva, que teve um papel “multitela”, aliando a força de um personagem de novela com a das redes sociais. Você acha que essa relação com a Internet será cada vez mais importante para a dramaturgia e para a TV aberta no geral?
Leonor Corrêa: Totalmente. Cada vez mais as mídias estão integradas e se completam. Haja vista a repercussão enorme de “Carinha” com milhões de visualizações na Internet.

SBTpedia: Apesar da sua função não lidar diretamente com as gravações, você tem contato com as crianças? Como é trabalhar com um elenco prevalentemente infantil?
Leonor Corrêa: As crianças sempre ajudam muito a compor os personagens, com sua espontaneidade, sua dedicação e verdade com que se entregam. É difícil escrever para elas, são muitos cuidados. Falas curtas, pensar com a cabecinha delas, fazer com que entendam o que interpretam mesmo com textos mais difíceis. Todas  foram incríveis, resultado também de um grande trabalho de preparo desse elenco infantil  junto a direção de  elenco e artística.

SBTpedia: Nos créditos da novela aparece que a Íris Abravanel atuou como uma “supervisora-geral” de Carinha de Anjo. Como foi essa relação de trabalho entre vocês?
Leonor Corrêa: Ela é uma verdadeira líder. Estimula, cobra, incentiva, ensina, orienta. Isso me deu uma enorme responsabilidade para não decepcioná-la, pois foi uma aposta em quem nunca havia escrito uma novela. Só gratidão!

SBTpedia: O modelo atual de produção de novelas infantis do SBT exige cada vez mais um número maior de capítulos. É cansativo? Como é desenvolver a história sem deixar acontecer aquelas fases que nada acontece, a famosa "barriga"?
Leonor Corrêa: Quando começamos a novela, já sabemos quantos capítulos terá. 280... 300... Por isso, no arco dramático, na sinopse, devemos prever fatos importantes e grandes viradas a todo tempo. Passamos do capítulo 300 e estão entrando personagens e ainda há muito o que ver em “Carinha”. Emoção e diversão.

SBTpedia: Grande parte das novelas mexicanas possuem um fundo católico, uma vez que essa é a religião predominante no México. E “Carinha de Anjo” se passa num colégio de freiras. Como foi trabalhar para que a trama pudesse atingir todos os públicos?
Leonor Corrêa: O foco foi o amor entre as pessoas, os sonhos, as relações de amizade. Isso não existe apenas em uma religião. O bem e o mal são universais. O certo e o errado, cada religião prega suas crenças. Nosso objetivo é falar de amor, isso vale pra tudo.

SBTpedia: Em "Carinha de Anjo" muitos núcleos despertaram a torcida de fãs nas redes sociais. Cito alguns como: o casal fofo Cecília (Bia Arantes) e Gustavo (Carlo Porto); as diversas confusões entre Silvestre (Blota Filho) e Franciely (Carol Loback); as armações da “Nicobra” (Dani Gondim); as travessuras de Emílio (Gabriel Miler) e Zé Felipe (Leonardo Oliveira). O drama do Zeca (Jean Paulo Campos), por sua vez, que desde o príncipio da trama queria ser cantor, não empolgou tanto. Muitos espectadores, inclusive, ainda associam a imagem do Jean com o Cirilo, personagem em "Carrossel".  Como você avalia o desenvolvimento deste núcleo?
Leonor Corrêa: Os núcleos que criamos nessa adaptação foram o rural, família de Zeca e o urbano, família de Juju. Além da Franciely e de uma nova versão do Silvestre, mais brasileira. É gratificante ver que a novela está atraindo cada vez mais o público não apenas para a relação Cecília, Gustavo e Dulce Maria. Mas, todos tem seu momento, história que comove e diverte o público. Isso também é fruto de um elenco mega competente e uma direção primorosa.

SBTpedia: "Carinha de Anjo" aproxima-se agora para a reta final. O que o público pode esperar para os próximos meses?
Leonor Corrêa: Muitas novidades. O esperado casamento de Gustavo e Cecília, a tenebrosa Cassandra, filha de Vitor, o avô de Dulce Maria que retorna a Doce Horizonte... Muita história pra contar, isso eu garanto.

SBTpedia: Com Carinha de Anjo, já são 4 novelas voltadas para o público infanto-juvenil indo ar em sequência desde 2012. Uma próxima, a quinta, já está em gravações, que é “As Aventuras de Poliana”. Hoje já é possível dizer que esse tipo de dramaturgia está consolidado no SBT? Como você vê essa evolução? 
Leonor Corrêa: Novela infanto-juvenil é marca do SBT, faz tempo. E além dos sucessos mexicanos, as adaptações foram muito bem recebidas. Agora, a próxima da Íris, “As Aventuras de Poliana” é de própria autoria, nada de adaptação, resultado de uma equipe que só construiu sucesso um atrás do outro também com a parceria da Rita Valente e uma turma dedicada.

SBTpedia: Quais novelas do SBT e de outras emissoras você mais gostou? Existem autores que você se inspira?
Leonor Corrêa: Tive ligação muito forte com “Éramos Seis”, pois foi meu primeiro trabalho junto ao Nilton Travesso. Mas, Carrossel versão brasileira com Jean de Cirilo, Maisa e Larissa, tantos outros talentos, foi demais. São muitos sucessos e estilos diferentes. Autor bom é aquele que faz a gente rir, chorar, que nos deixa grudados na tela. E existem muitos talentos.


SBTpedia: “Poliana” é declaradamente o livro de cabeceira da Íris Abravanel e ela terá a oportunidade de adaptá-lo como novela no SBT. Você tem algum livro preferido que você acha que se transformaria em uma ótima trama na TV?
Leonor Corrêa: Tem muitos livros que marcam minha vida. Em especial, “Uma Rua como Aquela”, de Lucília Junqueira de Almeida Prado.

SBTpedia: O SBT já tratou com você sobre a possibilidade de escrever uma nova novela após “As Aventuras de Poliana”, por exemplo? Você toparia um novo desafio?
Leonor Corrêa: Estou supervisionando o texto da série Z4 (parceria do SBT, Formata e Disney). São 26 episódios, já divulgados pela imprensa, e estou adorando esse projeto também.

SBTpedia: Com o término de Carinha de Anjo e como Poliana poderá ficar um bom tempo no ar, você pode assumir outras funções na casa, como diretora de programas?
Leonor Corrêa: Por enquanto estou na Z4, o futuro ainda não sei. Mas, acho que passei 20 anos dirigindo programas e hoje há uma moçada com energia e competência já no mercado. Meu sonho mesmo é continuar contando histórias.

SBTpedia: Em outras entrevistas, você revelou que era um dos seus maiores sonhos torna-se novelista. Como você se sente hoje vendo no ar o seu primeiro trabalho e já com bastante sucesso?
Leonor Corrêa: Feliz, realizada e confesso: morrendo de saudade! E quando penso que Carinha de Anjo está aí na reta final, aperta o coração. Mas, por outro lado, será sempre o meu tesouro, talismã, que me abriu as portas e trabalhando com uma equipe unida, talentosa e dedicada sob o comando do diretor Rica Mantoanelli, conquistamos a audiência que sonhávamos.

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