Opinião SBTpedia: O mais do mesmo que faz o SBT andar em círculos


Por José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (@juniorpitangui)

Esse artigo de opinião é definitivamente mais do mesmo: falar sobre Silvio Santos e sua incontrolável capacidade de mexer, à margem da direção, na grade da emissora. É um assunto tão recorrente que já sabemos o resultado óbvio: não vai dar certo e, quando o brinquedinho cansar, que a direção se vire para catar os cacos. Essa história já se repetiu incontáveis vezes.

Impossibilitado de gravar em virtude da pandemia de Covid-19, Silvio Santos resolveu assistir a programação do SBT. Até o presente momento o alvo vem sendo sua cria - o “Triturando” - que até dias atrás era “Fofocalizando” e que um dia já foi “Fofocando”. O programa é um verdadeiro entra e sai de apresentadores, muitos às vezes sem função alguma e só estão lá porque são conhecidos do dono ou colocados pela direção para contenção de danos. Pior, é um programa que não consegue ter uma estabilidade mínima de formato, de quadros, de elenco e que gera mais notícias pelas intrigas internas do que eventuais exclusivas de famosos que deveria trazer.

Mamma Bruschetta, Homem do Saco, Leão Lobo, Décio Piccinini, Nadja Haddad, Chris Flores, Mara Maravilha, Lívia Andrade, Gabriel Cartolano, Matheus Ceará, Léo Dias, Fábia Oliveira e agora Ana Paula Renault e Flor... Desculpe minha memória se esqueci alguém. Todos passaram pela revista eletrônica que agora chama “Triturando”, para desespero do Departamento Comercial, por causa do amor do dono do SBT pelo robô Fofobyte e o quadro de triturar músicas. Mas só vale analisar músicas do tempo do Silvio Santos, para que ele possa se divertir em casa. Ah, o gosto pessoal.

Para amanhã tem novidade na telinha do SBT. Não é nenhuma estreia bombástica, nenhuma nova contratação ou mesmo algum quadro novo. Trata-se da reprise do Primeiro Impacto. Sim! O programa, acredite, possui melhores momentos, e será exibido durante 3 horas e 15 minutos a partir do meio-dia. Serão, no total, 9 horas e 45 minutos de Primeiro Impacto diariamente, o que equivale a cerca de 40% do total da grade do SBT. Quais são as chances de um jornalístico reprisado fazer frente ao Jornal Hoje e o Balanço Geral? Sim, zero. Quais são as chances disso só servir para quebrar público e diminuir ainda o que ainda resta de audiência dessa faixa da tarde do SBT? Enormes.

A “novidade” programada por Silvio Santos repete 2017. Naquela ocasião o Primeiro Impacto também ganhou um “Segundo Impacto”, só que, mais decentemente, sendo ao vivo. Claro, com reprises de matérias a rodo, mas pelo menos podia se dizer que era apresentado ao vivo. O resultado foi sair do ar em uma semana, sendo que nesse espaço exíguo ainda deu tempo para reduzir sua duração de 3 para 1 hora.

Veja que o SBT anda em círculos. A direção arruma a casinha e Silvio Santos vai lá desarrumar. E o verso se repete 44 vezes. Deve ser um baque daqueles para quem trabalha dia e noite para colocar a emissora em ordem. Ou não, já estão acostumados com o boicote de sempre. Enquanto isso o canal começa a perder na audiência por várias horas para a Band, o que deve se acentuar ainda mais a partir de amanhã na faixa vespertina.

As redes sociais não perdoam. Memes clássicos como “O que eu estou fazendo com a minha emissora?” com imagens do CDT em chamas ou mesmo o gif do Pião da Casa Própria com logos dos seus brinquedos preferidos permeiam a cada nova decisão. A zoeira não é exagerada se pensarmos que estamos em um ano que a economia pode cair 7% (recorde em toda a história do Brasil) e que agora Silvio Santos não tem um banco para segurar as pontas. A Tele Sena adiou por várias semanas seus sorteios em virtude da pandemia e da dificuldade do seu público-alvo lidar com a versão digital do título de capitalização. Vendas de produtos licenciados de novelas devem despencar com a saída do ar de Poliana e substituição por uma reprise. Com limitações em virtude do isolamento social e queda no turismo, o Hotel Jequitimar que já não ia bem das pernas, tende a perder ainda mais fôlego. Nem mesmo o SBT Folia 2021, uma boa fonte de renda para o início de cada ano, está garantido sem uma vacina Covid-19 que assegure a segurança do Carnaval de Salvador. Pra piorar, a nova portaria regulamentando a publicidade infantil, que poderia ser um fôlego interessante para turbinar receita do Bom Dia & Cia e novelas, acabou adiada  por conta da Covid e demissão do Ministro da Justiça e do Secretário do Consumidor.

Com o risco de repetir o filme do trágico ano de 2007 na grade, quem pode conter Silvio Santos nessa quarentena? Aparentemente ninguém. Nem família, nem direção. O dono/acionista majoritário já deu a dica no dia 16 de abril: “Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego”. Como ele não se mete em política apoiando a demissão de Ministro da Saúde, eu também não me meto em assunto da emissora parafraseando Eduardo Cunha: “Que Deus tenha misericórdia do SBT”.

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