Opinião SBTpedia: A importância da representatividade no SBT para continuar a ter torcida

Por Pedro Arthur Nascimento (@pedromnasciment)

Hoje, mais do que em outros períodos, discute-se sobre representatividade. No teatro, no cinema, na TV, nos postos de trabalho em geral. O autor que vos escreve não é especialista no assunto, apenas um telespectador atento às legítimas lutas de pessoas que almejam conquistar espaços, que ainda são negados, sejam elas por conta da origem, da cor ou do gênero. Usarei, portanto, este espaço para um desabafo como espectador que gosta de televisão, sobretudo o SBT.

Gostar do SBT significa gostar de uma TV popular. De uma TV que nasceu do sonho do Senhor Abravanel de levar às massas alegria, diversão e entretenimento de um jeito fácil e entendível para todas as classes. Mais do que usar o veículo para vender os carnês do Baú, o SBT levava o sonho - especialmente para as camadas mais pobres - de ganhar algum prêmio, de abrir a porta da esperança ou até mesmo de levar pra casa um simples aviãozinho (tão pouco pra sorrir, não é?). Ver o auditório orquestrado pelo famoso Roque cheio de pessoas que tinham a cara do povo, alimentava a sensação de que ali era uma TV viva, uma TV verdadeira, uma TV que de fato representava a cara do Brasil, como diz um dos últimos slogans. Hoje percebo que ainda há uma vontade de preservar este mesmo espírito, no entanto falta entender que o público não quer mais apenas se ver na TV.

O povo teve mais acesso à educação, mais acesso a internet, o povo se politizou mais e não aceita o que antes era aceitável. Hoje já não basta apenas colocar alguém com a cara do Brasil para aparecer querendo um prêmio ou como figura circense em programas de conflitos familiares ou de contestação de paternidade. Hoje é necessário entender porque essas fórmulas que antes davam tão certo, além de não trazer retorno comercial, não dão mais grandes picos de audiência.

A sensação de TV verdadeira, citada anteriormente, precisa ser repensada e o que falta no SBT é justamente a representatividade em seus diferentes níveis. E isso não quer dizer colocar pretos, gays, trans, nordestinos, no palco do “Casos de Família” ou do “Programa do Ratinho”. Significa termos diversidade de apresentadores, produtores, roteiristas, redatores, diretores, pessoas em cargos de gestão, que entendam a importância das discussões em torno disso atualmente.

Quando falamos em representatividade nestes setores é para justamente não ocorrer o deslize numa cena da novela "As Aventuras de Poliana" onde uma personagem negra é acusada de roubo e, ao questionar a direção da escola que o episódio estava relacionado por conta da sua cor, ela é educada de que o racismo não existe e está na cabeça das pessoas. Ora, quem escreveu isso será que está a par da responsabilidade do texto? Como passou ileso pela direção?

Outro fato inconcebível e de grande repercussão negativa foi uma foto de fim de ano divulgada nas redes sociais com apenas pessoas brancas na linha de frente do time da emissora. E não é apenas uma questão de aparecer bem na foto, como muitas empresas tentam disfarçar, colocando uma ou duas pretas com cabelo black no cartaz.

É necessário uma representatividade verdadeiramente engajada, onde pessoas possam discutir a importância de se fazer uma TV atenta às mudanças da sociedade. De pensar uma TV para além da TV, que só se manterá viva se tiver consoante com a produção também para a internet, on demand. É substancial tirar do imaginário das pessoas que o SBT parou no tempo. E isso só vai ocorrer quando a emissora despertar para essas discussões que são emergenciais.

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