Opinião SBTpedia: O Vem pra Cá precisa ser mais SBT e menos GNT

Foto: Gabriel Cardoso/SBT

Por Pedro Arthur Nascimento (@pedromnasciment)

O novo programa das manhãs do SBT, Vem pra Cá, completou hoje três edições. A atração comandada por Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano afinou erros da edição de estreia, mas ainda falta personalidade. É certo que o programa não tem a proposta de reinventar a roda das atrações matinais, mas é preciso destacar-se como opção relevante e, principalmente, dialogar com o público popular da emissora.

O programa prometeu ser leve e talvez seja realmente um diferencial para os tempos que estamos vivendo, com tantas notícias pesadas na concorrência. Mas não se pode confundir leveza com frieza. O público do SBT não é o mesmo da GNT. Na TV aberta estamos lidando com um público amplo, onde boa parte das pessoas está passando por um momento de instabilidade emocional, de saúde e financeira. É possível apresentar um conteúdo light uma vez por semana - como ocorre com o “É de Casa”, na Globo, mas uma revista diária precisa acompanhar o time da vida real, conectada com os principais acontecimentos do dia.

Por isso, a importância do jornalismo. O bloco destinado a este fim no programa é frio, quase gelado. E o público percebe, sobretudo porque a audiência que ele recebe é do “Primeiro Impacto”. Não dá pra fechar os olhos para o principal acontecimento do momento: a pandemia. Sabemos que a apresentadora dificilmente irá se comprometer com o assunto por conta da gestão do marido - Fábio Faria, atual Ministro das Comunicações. O diferencial, neste caso, não deve ser desinformar, e sim aproveitar a pauta para desdobrá-la por perspectivas que fujam do óbvio.

Uma vez que as pessoas sentem que estão bem informadas, a qualquer momento, e não somente num bloco isolado de 1 minuto, elas podem se permitir a acompanhar outros segmentos do programa, como moda, jardinagem, culinária, fofoca, o que for.

Além disso, é fundamental que o público de casa sinta-se próximo dos apresentadores. Perceba o lado humano diante das notícias. Patrícia e Cartolano precisam interagir mais com a responsável pelo bloco, a jornalista Lívia Raick, de forma natural e sincera. Sem pressa. É importante levar alto astral para o público, mas ele também quer sentir que aqueles apresentadores são de verdade, que eles se sensibilizam diante dos acontecimentos. Essa intimidade diária é fundamental. Se estou diante de dois apresentadores frios, por que eu trocaria a Ana Maria Braga por eles?

A interação mais aprofundada também vale para o quadro "SBT 40 anos". Ele poderia ser um pouco maior do que é apresentado atualmente, pelo menos uma vez por semana. Quando o tema for "A Praça é Nossa", por exemplo, vale uma homenagem para o Carlos Alberto de Nóbrega e um bate papo com os principais humoristas que fizeram história no programa. Fãs da emissora também poderiam ganhar espaço para explicarem o porquê da forte relação com o canal. Ainda, seria válido uma parceria com o digital e ganhar uma extensão na web. Uma aba no site do programa dedicada ao quadro poderia reunir os vídeos exibidos com uma edição maior, fotos, linha do tempo, depoimentos e curiosidades. 

Por fim, voltamos a falar sobre personalidade. Mesmo que o programa contemple diversos quadros, é bom ter um carro-chefe. É preciso ter algo que as pessoas já associam de imediato ao ligar no Vem Pra Cá. Será moda? Culinária? Embora o público alvo seja a mulher, é importante considerar que ela não é a mesma de dez, vinte anos atrás. A dona de casa hoje também é empreendedora. Dicas de jardinagem, ok, mas como ganhar dinheiro com isso? Como pode ser rentável uma receita de cupcakes? O foco no empreendedorismo, especialmente direcionado às classes C e D, pode ser uma linha diferenciada e relevante.

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